São Paulo, 11 (AE) - A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), marcada para o final do mês e início do próximo em Seattle (EUA), está mais próxima do fracasso do que de um eventual acordo para lançar uma nova rodada de negociações multilaterais de comércio, que vem sendo chamada de Rodada do Milênio.
"A falta de um acordo sobre a agenda a ser apresentada, principalmente por causa da questão agrícola, é bastante preocupante", reconheceu o embaixador José Alferdo Graça Lima, subsecretário de Assuntos de Integração e de Comércio Exterior do Itamaraty, em entrevista à Agência Estado. O próprio diretor-geral da OMC, Mike Moore, declarou estar preocupado com o eventual fracasso da 3ª reunião ministerial por falta de flexibilidade nas negociações.
No início desta semana, representantes da União Européia e de outros 12 países se reuniram em Genebra para tentar desbloquear a delicada negociação para a Rodada do Milênio, mas o impasse permaneceu. As negociações não avançaram por causa da questão agrícola. "O problema é que o Japão se nega a negociar a abertura de seu mercado agrícola e o Grupo de Cairns exige demais", disse um alto diplomata europeu em Genebra.
O diplomata não citou, entretanto, a postura rígida e inflexível dos europeus nessa área. O Grupo de Cairns, do qual fazem parte o Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai, entre outros, exigiu há dois meses em Buenos Aires, com apoio dos EUA, que a União Européia reduza drasticamente suas tarifas de importação agrícola e elimine todos os subsídios às exportações agrícolas.
A União Européia, com apoio da Suíça, Noruega, Japão e Coréia do Sul, se recusa a aceitar um mercado agrícola livre e exige a "multifuncionalidade" dessa atividade, termo qualificado pelo Grupo de Cairns como um subterfúgio para as barreiras impostas contra os produtos agrícolas de países mais competitivos. Os agricultores europeus acreditam nos impactos sociais e ambientais na atividade agrícola, o que, para eles, influencia diretamente nas questões fundamentais de segurança e de qualidade dos alimentos. E mais, os agricultores europeus afirmam que, toda vez que a UE entra em uma negociação, acaba cedendo demais, razão pela qual não querem sequer imaginar um comércio agrícola mais livre. Se esses aspectos não forem levados em conta, não haverá acordo algum em Seattle.

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