Santiago, 11 (AE-ANSA) - Mais de 100 sacerdotes, religiosos e seculares chilenos denunciaram à Conferência Episcopal e à nunciatura apostólica "uma ofensiva da Opus Dei no Chile", publicou hoje (11) o diário La Nacion.
O documento, intitulado "Opus Dei atrás da estratégia de Joaquin Lavin" (o candidato presidencial direitista para as eleições de 12 de dezembro), diz que o apoio do grupo conservador católico "é semelhante ao que foi dado na Espanha" à direita para enfrentar o socialista Felipe González.
O La Nacion indicou que os sacerdotes, religiosos e seculares denunciaram à hierarquia católica do Chile e do Vaticano "um ambicioso plano de setores minoritários, mas estreitamente vinculados a poderosos grupos econômicos, para instalar no governo o preferido da direita Joaquin Lavin".
O jornal lembrou que em 1997 visitou o Chile o líder mundial da Opus Dei, monsenhor Javier Echeverría, que pediu que fosse "repetido o modelo espanhol" que permitiu a vitória do Partido Popular, que "combinou raízes cristãs com um discurso demagógico e distante do passado franquista".
Também, em revistas ligadas à Opus Dei, Echeverría "insistiu que no Chile deve-se desenrolar pontes de comunicação e entendimento para repetir o modelo espanhol, estratégia política amplamente preparada".
Referindo-se a Lavin, os signatários afirmam que "este candidato da União Democrática Independente-Opus Dei faz parte daqueles católicos que nunca aceitaram a Encíclica Rerum Novarum, nem a Laborem Excercens ou outros documentos da Igreja que foram divulgados durante o século XX estimulando a promoção da justiça social".
Eles acrescentam que "é sabido que a Opus Dei proclama, em todo o mundo, que os ensinamentos do Concílio Vaticano II não são prioritários e em muitos aspectos, discutíveis".
O La Nacion escreveu que para o grupo "Lavin é um manipulador religioso e consegue que certo clero integrista faça campanha para ele direta ou indiretamente. Também não faltam membros e simpatizantes da Opus Dei dentro dos mais altos círculos financeiros nacionais e internacionais que o apóiam".
Os signatários acreditam que a chegada de Lavin à presidência influenciaria a Conferência Episcopal do Chile, já que haverá em breve uma renovação de 15 bispos.
Entretanto, eles esclareceram que não apoiarão "nenhum dos cinco candidatos restantes" à presidência - o socialista Ricardo Lagos, a comunista Gladys Marin, o humanista Tomas Hirsh, a ecologista Sara Larrain e Arturo Frei, um ex-senador democrata-cristão que se apresenta como independente.
Segundo as pesquisas, Lavin e Lagos são os únicos com chances de vitória.

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