Washington, 11 (AE-AP) - Israel manterá seu plano de montar um avançado sistema de radar para a China, apesar de um apelo do Pentágono para que o negócio fosse cancelado, informaram hoje autoridades israelenses.
O apelo feito pela defesa americana foi publicado na edição de hoje do The New York Times. Segundo o jornal americano, a venda do sofisticado sistema de radar, avaliado em US$ 250 milhões, pelo governo israelense à China preocupa o Pentágono, e o governo americano já pediu aos israelenses que cancelem a entrega adicional de aviões-radares e interrompam outras vendas de armas aos militares chineses.
De acordo com a matéria, Israel tem mantido há muito tempo relações militares secretas com a China que, segundo especialistas em armas, resultaram em bilhões de dólares em vendas de armas nos últimos anos, causando grandes preocupações nos Estados Unidos. Mas autoridades do Pentágono temem que esse avançado sistema de radar ajude os chineses a ampliar seu poderio militar além das fronteiras e ameaçar Taiwan.
"Esse equipamento poderá aumentar muito a habilidade de a China conduzir operações dentro e em torno do Canal de Taiwan, onde temos nosso maior interesse em segurança na região", comentou ao jornal um importante militar americano, no anonimato.
O NYT informou que funcionários da Elta, uma subsidiária da Israel Aircraft Industries, recentemente instalaram o sistema de radar num avião de carga russo destinado à Força Aérea chinesa, completando a primeira parte de um complexo acordo, que vem sendo discutido há anos. A Elta, ainda de acordo com o diário nova-iorquino, projetou o sistema, conhecido como Falcão, para a Força Aérea israelense, usando um Boeing 707 como plataforma. Segundo as mesmas fontes, a China estaria interessada em comprar mais quatro ou oito desses sistemas, instalando-os em aviões russos.
A venda do sistema de radar, como também outros negócios de armas israelenses para a China, prejudica as relações dos Estados Unidos com um de seus principais aliados. O governo israelense assegurou às autoridades americanas que as vendas não envolvem tecnologia americana, embora uma autoridade do Pentágono disse ao The New York Times que, por causa da quantidade de armas que os Estados Unidos dividem com Israel, era difícil separar a tecnologia militar americana da israelense. "Por causa a estreita relação que temos, há sempre o risco de que alguma dessa tecnologia passe de Israel para a China."





