Bauru, SP, 11 (AE) - Um erro nos exames de reação de imunofluorescência indireta para a constatação de leishmaniose, realizados pela unidade regional do Instituto Adolfo Lutz, em Bauru, interior de São Paulo, provocou o sacrifício de cerca de 120 cães sadios nos municípios de Bauru, Promissão, Lins, Balbino e Cafelândia, além de grande e desnecessária mobilização de toda a região contra a doença. Com a detecção da falha, a política de combate à enfermidade sofrerá alterações.
O diretor do instituto, Cristiano Azevedo Marques, lembrou que a própria entidade detectou e divulgou o erro e a maior preocupação atualmente é manter a credibilidade e a atenção da população para a doença que, embora em nível menor, continua presente na região. Segundo a Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual da Saúde, o instituto assume a responsabilidade pelo ocorrido e apura a falha para, em seguida, tomar as providências administrativas cabíveis.
A demanda para o exame que detecta a leishmaniose começou a crescer no segundo semestre de 1998, obrigando o Adolfo Lutz a descentralizar os testes. Até abril, apenas São Paulo fazia esse exame. Depois, 13 laboratórios do instituto, ou conveniados, passaram a realizá-lo. A suspeita de erro ocorreu há 45 dias, em Bauru, em razão do grande número de casos positivos - dos 450 exames, 130 indicavam que os cachorros estavam doentes. Quando os testes foram refeitos na unidade da capital, foi constatado que o número de cães contaminados pelo protozoário L. longipalpis, causador da doença, era menor que o imaginado.
"Fizemos novamente os exames de todo o Estado e constatamos que o erro foi localizado", disse Marques. A maior suspeita recai sobre a água da região, que, segundo Marques, é mais ácida do que nos outros municípios. Essa alteração pode ter comprometido a análise. A funcionária que fez os testes está afastada em razão de um derrame cerebral. Diante do resultado, a Direção Regional da Saúde de Bauru retirou Promissão, Lins, Balbinos e Cafelândia da lista dos Municípios de Transmissão para a Leishmaniose Visceral e os pôs entre os Municípios em Investigação, suspendendo a programação de nebulização anteriormente traçada.
Em Lins, onde 80 cães foram sacrificados e só 4 tiveram a doença confirmada, há grande descontentamento da população, mas nenhuma autoridade foi encontrada para falar sobre o assunto. Em Araçatuba, mesmo antes de a direção do Adolfo Lutz admitir os erros, muitas pessoas já suspeitavam dos resultados. A Secretaria da Saúde realizou exames em 34,9 mil cães na cidade
dos quais 3,6 mil foram apontados como doentes - e a maioria acabou sacrificada.
Alguns conseguiram evitar a morte de seus cães, apresentando resultado negativo de exames realizados por veterinários particulares. Um deles foi o vendedor Eurico Gandra. Pagando R$ 25 a um consultório particular, obteve documento assinado por pesquisadores da Universidade Federal de Belo Horizonte de que a cadela não tinha o vírus. (Jair Aceituno
Bia Reis e Antônio José do Carmo)





