PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Chico Araújo, especial para a AE 
Brasília, 11 (AE) - Todos os ativistas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que participaram, ontem, da destruição da praça de pedágio do km 111 da Rodovia Castelo Branco, em São Paulo, incendiram quatro cabines de cobrança e depredaram outras sete, serão arrolados no inquérito já instaurado pela Polícia Federal contra o dirigente nacional do MST, João Pedro Stédile. "Não podemos permitir que o movimento continue a atuar de forma violenta, ameaçando a segurança das pessoas e danificando o patrimônio público", afirmou o ministro da Justiça, José Carlos Dias.
O quebra-quebra complica ainda mais a situação de Stédile, que, na manifestação contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) em frente ao Banco Central, no mês passado, conclamou os manifestantes do MST a depredarem os pedágios das rodovias, invadir usinas hidrelétricas e ocupar latifúndios em 10 de novembro, dia de paralisação nacional por emprego organizado por movimentos sociais. Na época, Stédile afirmou que fora mal interpretado e que não estava incitando seus liderados à desobediência civil.
"Não me venham dizer que o Stédile não sabe o que é figura de retórica ou que está perdendo o controle sobre o MST"
questionou o ministro, que determinou a abertura de inquérito na PF contra o dirigente e enquadramento dele na Lei de Segurança Nacional. Segundo a PF, a ação de manifestantes do MST tem relação direta com as palavras de ordem de Stédile na marcha de outubro. Agílio Monteiro explicou que os fatos ocorridos em São Paulo envolvendo o MST estão sendo apurados pela PF e, imeditamente, incorporados ao inquérito que corre contra Stédile na superintedência da PF em Brasília. "Vamos fazer uma conexão dos fatos para esclarecer o episódio", explicou. Destruição - A PF começa a ouvir os sem-terra envolvidos na destruição dos pedágios a partir da próxima semana. "Vivemos numa democracia plena, e a base da democracia é o respeito às leis, de modo que é por suas ações que o MST vai definir a maneira como quer ser tratado pela sociedade", lembrou Dias. A ação de destruição dos pedágios foi coordenada por homens encapuzados supostamente ligados ao MST.


