Brasília, 11 (AE) - O pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar irregularidades na autorização de bingos foi arquivado ontem, depois de perder o apoio de sete senadores. O requerimento havia sido apresentado pela manhã, com 33 assinaturas (6 além das 27 exigidas). Mas os senadores Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), Gilvan Borges (PMDB-AP), Wellington Roberto (PMDB-PB), Gerson Camata (PMDB-ES), Arlindo Porto (PTB-MG), Luiz Otávio (PPB-PA) e Agnelo Alves (PMDB-RN) alegaram que haviam assinado apenas "em apoiamento", de modo que seus nomes não poderiam ser computados.
Em nota divulgada hoje, o autor do pedido, senador Osmar Dias (PSDB-PR), acusou o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), e o presidente do PMDB, senador Jader Barbalho, de agirem para impedir a criação da CPI dos Bingos. Segundo Dias, isso "mostrou o comprometimento do governo". "Quem teme ser investigado é porque tem culpa", declarou o parlamentar, por meio de assessores. Procurados em seus gabinetes hoje, no começo da noite, pela Agência, Arruda e Jader não foram localizados. Irregularidades - O objetivo da criação da CPI era apurar irregularidades na concessão de autorizações de bingos pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp), órgão ligado ao Ministério do Esporte e Turismo. Investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal já constataram a interferência da máfia italiana na redação de uma portaria do Indesp que regulamentava as máquinas de bingo eletrônico.
De acordo com as investigações, a portaria foi redigida na sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por pessoas que não pertenciam ao quadro do Indesp e com a presença de empresários do setor. A portaria foi revogada no mês passado por decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso. Em outubro, o então diretor de Administração e Finanças do Indesp, Luiz Antônio Buffara de Freitas, pediu exoneração do cargo, alegando problemas de saúde.
Buffara, homem da estrita confiança do ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, é acusado por ex-servidores do órgão de adotar critérios políticos na concessão de autorizações de bingos. Na ação movida pelo Ministério Público Federal, o ex-diretor é acusado de omissão na fiscalização de bingos. No dia 18, Greca deverá prestar esclarecimentos sobre o assunto no Senado. A Comissão de Assuntos Sociais também já aprovou, a pedido de Dias, convocação para que Buffara e o ex-procurador da Conab Paulo Araújo compareçam à comissão.
Diante das irregularidades, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) apresentou projeto proibindo o jogo de bingo no País.

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