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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Nelson Francisco, especial para a AE 
Cuiabá, 11 (AE) - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), multou hoje
em R$ 20 mil, a organização não-governamental Office Nations de Forêts (ONF) pela aplicação de 5 mil litros do herbicida Roundup numa área de 1,5 mil hectares da Fazenda São Nicolau, em Juruena
a cerca de mil quilômetros de Cuiabá, no norte do Estado. A superdosagem seria a causa da morte, há duas semanas, de centenas de animais e peixes.
A presidente do Ibama, Marília Marreco, deve instaurar sindicância para saber de quem partiu a orientação para que o superintendente do órgão em Mato Grosso, Nivaldo Bezerra, mantivesse silêncio sobre o episódio. Em matéria distribuída ontem pela Agência Estado, Bezerra admitiu que sabia do desastre ecológico, mas não tomou providências. Agentes da Polícia Federal, representantes do Ministério Público Federal e Estadual e entidades ambientais, além do Ibama e da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema), estão na área desde hoje à tarde para avaliar o maior desastre ecológico já ocorrido em Mato Grosso.
A ONF é responsável pela execução do Poço de Carbono, um projeto pioneiro no mundo, cujo objetivo é reflorestar áreas degradadas para reduzir a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. No entanto, segundo denúncias, a entidade estaria fazendo queimadas e usando agrotóxicos para realizar o Poço de Carbono. "Nosso erro foi não ter feito uma boa gerência das relações com os órgãos ambientais que fiscalizam este tipo de atividade em Mato Grosso", disse o francês Ambroise Graffin, responsável técnico pelo projeto. Responsabilidade - "Reconhecemos que houve algumas negligências de nossos fornecedores e parceiros, principalmente em relação à legislação brasileira", disse Marc Bocqué, porta-voz da Peugeot
a multinacional que patrocina a iniciativa, com investimentos de US$ 12 milhões. Segundo ele, a Peugeot é cliente do projeto. "Ela (a Peugeot) não pode ser acusada de causar danos ambientais", disse. "Se os fatos forem verdadeiros, a empresa tomará todas as providências para retificar os danos".
O secretário da Fema, Frederico Muller, disse que vai aguardar o laudo final da perícia no local para se pronunciar. "Houve um grave crime ambiental e agora precisamos saber quem é que vai se responsabilizar por isso", disse. "Estas atitudes não são coerentes com o projeto", disse ao "Diário de Cuiabá" o diretor da empresa Pronatura, parceira do projeto, Marcelo Andrade. "Havia alternativas ecologicamente corretas para realizar este trabalho". Andrade foi responsável pela vinda do Poço de Carbono para Mato Grosso. Desde ontem, a reportagem da AE tenta, sem sucesso, localizar algum representante da ONF para comentar o assunto.


