São Paulo, 11 (AE) - O estudante de medicina Mateus da Costa Meira, de 24 anos, estava drogado quando entrou no cine 5, do MorumbiShopping, apontou a submetralhadora na direção da platéia e começou a atirar. Matou três pessoas e feriu outras cinco. A suspeita do delegado Olavo Reino Francisco, da seccional sul, de que Meira estava sob efeito de cocaína quando atirou nas pessoas, foi confirmada hoje com a conclusão do laudo toxicológico pelo Instituto Médico-Legal (IML).
O delegado afirmou que os exames de laboratório com a urina e o sangue de Meira, colhidos poucas horas depois da prisão, comprovaram que o estudante tinha usado cocaína. O policial continua afirmando que Meira premeditou o crime do MorumbiShopping. "Só quem programa tem a conduta que Mateus teve", afirmou o delegado. "Ele comprou a submetralhadora, foi para o cinema, fez o teste da arma com um tiro no espelho e depois deu quase 40 tiros na platéia, pouco depois de entrar na sala de projeção."
Para Francisco, o estudante de medicina tinha "plena noção do que estava fazendo e não se pode dizer que praticou os crimes por causa do desequilíbrio mental." Meira, ao ser preso, declarou que havia três dias que não fazia uso de cocaína. O IML faz exame complementar que vai indicar o horário em que Meire consumiu a droga.
O inquérito das mortes do cine 5 deverá ser encaminhado amanhã (12) para o Tribunal do Júri de Vila Mariana. Hoje o delegado Virgílio Guerreiro Neto, do 96.º Distrito Policial, concluiu os últimos depoimentos e seu relatório. Guerreiro fez um histórico do que ocorreu na sessão do cine 5 durante o filme "Clube da Luta". Descreveu os momentos de pânico das pessoas que assistiam ao filme, relacionou as que socorreram os feridos e os que sobreviveram ao ataque. São citados no relatório os que desarmaram Meira e o entregaram à polícia. O delegado transcreveu trechos do depoimento do estudante de medicina confessando o crime.
Descrição - Meira descreveu como comprou a submetralhadora, o valor pago ao mecânico Marcos Paulo de Almeida Santos e a munição adquirida. Guerreiro destacou a intenção de Meira de atirar nas pessoas e também a saída dele do apartamento da Rua Dona Veridiana, perto da Santa Casa, onde estudava, para o hotel no centro da cidade "por causa da perseguição que acreditava estar sofrendo."
O inquérito deverá chegar amanhã ao tribunal. Na terça-feira, o promotor Norton Geraldo Rodrigues da Silva poderá oferecer a denúncia contra Meira. O promotor pensa da mesma maneira que o delegado Francisco. "Mateus premeditou o crime e se o advogado dele entender que deva ser submetido a exame psiquiátrico que peça ao juiz", disse Silva.
O Ministério Público não solicitará o exame de insanidade mental. "Eu vou responsabilizá-lo em minha denúncia pelos crimes bárbaros que praticou, que vão dos três assassinatos às 63 tentativas de morte." Deolino Meira, pai do estudante, continua em São Paulo. Ele vai esperar a transferência de Meira de prisão para regressar à Bahia.

mockup