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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Nelson Francisco, especial para a AE 
Cuiabá, 11 (AE) - O ministro da Justiça, José Carlos Dias, e o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), foram surpreendidos hoje, por volta das 9h30, ao chegar ao presídio de segurança máxima da Mata Grande, em Rondonópolis, a 220 km de Cuiabá. Os presos de uma das alas se rebelaram e houve tiroteio. Um preso foi ferido no braço. Duzentos policiais militares controlaram a rebelião, que terminou às 12h30, com colchões queimados e alguns móveis destruídos.
Dias e Dante foram inaugurar mais uma ala da penitenciária, considerada a mais moderna do Estado, com capacidade para 750 presos. A comitiva do ministro chegou ao presídio às 9h30 para a solenidade, quando começou o tiroteio na ala três, onde estão 170 presos, considerados os mais perigosos e violentos do presídio. Sem a segurança necessária, o ministro e o governador tiveram que apressar a inauguração no pátio externo - não foram mais de dois minutos - e se retiraram às pressas do local.
Os cerca de 50 disparos foram feitos junto com a queima de fogos, provocando correria no lado externo da penitenciária. Logo após a inauguração o governador e o ministro deixaram o local escoltados pelas Polícias Federal e Militar.O corregedor-geral do Tribunal de Justiça, desembargador Paulo Lessa, o coordenador do sistema penitenciário de Mato Grosso, José Carlos Carvalho, e o juiz Pedro Pereira Campos, da 1ª Vara de Execuções Penais, negociaram o fim da rebelião com os detentos.
De acordo com os presos, a rebelião foi para chamar a atenção de José Carlos Dias e reivindicar a progressão das penas de 120 presos. Eles afirmam que o juiz Pedro Pereira não teria cumprido a promessa de beneficiar 120 deles com progressão de pena. O fim da rebelião só foi possível com a promessa de que a coordenadoria do sistema penintenciário vai cuidar da progressão das penas.
O juiz Pedro Pereira Campos solicitou uma revista geral em todas as alas do penitenciária. O diretor da Mata Grande, Aloísio Rodrigues da Silva, que não soube explicar como as armas entraram na penitenciária, não permitiu a entrada da imprensa no presídio após a rebelião.


