Manaus, 11 (AE) - Três pessoas morreram ontem (10), por volta das 23h30 (horário de Brasília), no naufrágio do barco Capitão Pinheiro II, no Rio Solimões, a 23 quilômetros do município de Coari, a 370 quilômetros de Manaus. Cinco pessoas continuavam desaparecidas no início da noite de hoje. De acordo com sobreviventes, o barco estava superlotado. A Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental divulgou uma relação com os nomes de 66 passageiros pagantes.
Nas primeiras horas de hoje um helicóptero da Marinha fez buscas na região do acidente e não encontrou vestígios da embarcação naufragada. "A embarcação já está no fundo do rio", disse o comandante da capitania, capitão de portos Jorge França. Segundo a capitania, embarcaram em Manaus 66 passageiros e sete tripulantes, por volta das 16 horas de quarta-feira e o barco pararia nos municípios de Codajás e Coari, terminando a viagem em Tefé.
Corpos - O Corpo de Bombeiros resgatou hoje os corpos de Mariana Braga Abreu, de 1 ano, Ricardo Almirante de Souza, de 5 anos, e de uma mulher não identificada até a noite de hoje. Ricardo é filho de Lucimara Lima Almirante de Souza, de 35 anos. Mãe e filho são de Brasília e viajavam na embarcação para visitar a avó que está doente e mora em Tefé.
Lucimara Lima Almirante de Souza contou que estava no banheiro quando o barco bateu. O filho ficou dentro da rede - tipo de acomodação usada pelos passageiros de barcos regionais na Amazônia. "Eu corri para salvar meu filho, mas duas crianças agarraram no meu pescoço e pediram socorro. "O barco foi à pique em três minutos", disse Laurimara. "Ainda nadei com as crianças à procura do meu filho, não o encontrei, fui salva por dois pescadores", disse Laurimara, que salvou as crianças. Amanhã ela volta aBrasília, onde o corpo Ricardo será enterrado.
A outra vítima, Maria Braga Abreu, é neta do proprietário da embarcação, Pedro da Silva Abreu. Ele estava viajando no barco, sobreviveu, mas fugiu do local do acidente. Segundo sobreviventes, que não querem ser identificados, o comandante do barco, José Carlos Ferreira Simas não sabia exatamente quantas pessoas havia a bordo, pois em Manaus embarcaram pessoas que iriam pagar a passagem em Tefé. Há informações de que a Capitania não fiscalizou o barco no Porto de Manaus. O comandante Jorge França disse que a responsabilidade por alteração do número de passageiros é de José Carlos Simas. O acidente com o barco Capitão Pinheiro II está sendo considerado o segundo mais grave este ano, depois do acidente em 5 de fevereiro, com a embarcação Ana Maria 8. O naufrágio ocorreu no rio Madeira, perto de Manicoré. Mais de 180 viajavam na embarcação quando ele afundou por causa do excesso de carga.Cinquenta e três pessoas foram dadas como desaparecidas e 131 sobreviveram.

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