PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Jair Aceituno e Antônio José do Carmo (especial para a AE) 
São Paulo, 11 (AE) - Pelo menos 135 cães sadios podem ter sido sacrificados nos municípios de Bauru, Procissão, Lins, Balbino e Cafelândia, no interior de São Paulo, sob suspeita de estarem com leishmaniose visceral. Um problema nos exames de reação de imunoflurescência indireta para a constatação de doença, realizados pela unidade regional do Instituto Adolfo Luz
em Bauru, teria provocado o erro. A hipótese é de que a água utilizada nos testes seja responsável pelo erro. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Saúde
o instituto assume a responsabilidade pelo erro e apura onde a falha ocorreu para tomar as providências cabíveis.
A falha foi detectada por técnicos do próprio instituto diante do grande número de casos positivos entres os exames realizados. Com as contraprovas, verificou-se que dos 450 resultados positivos obtidos apenas em Bauru, só nove estavam corretos. Outros 44 ainda inconclusos passarão por novo teste. Hoje, o diretor do Adolfo Lutz, Cristiano Marques, disse hoje que em função da grande demanda de exames destinados à constatação da doença, o instituto optou pelos laboratórios do interior e, para isso, treinou o pessoal, ao invés de realizá-los na capital.
Foco - Em Araçatuba, principal foco da leishmaniose visceral no Estado e onde a doença apareceu há cerca de um ano, donos de animais já suspeitavam de erros nos resultados dos exames. Na cidade já foram realizados exames em 34,9 mil cães, dos quais 3 6 mil foram apontados como doentes; a maioria acabou sendo sacrificada. Algumas pessoas conseguiram evitar a morte de seus animais apresentando resultado negativo de exames realizados em consultórios particulares.
Um deles foi o vendedor Eurico Gandra. Segundo ele, o Departamento Municipal de Saúde fez coleta de sangue da sua cadela da raça doberman, de quatro anos, e constatou contaminação com o vírus da leishmaniose. A ordem era matar a cachorra. Gandra disse que o animal não apresentava qualquer dos sintomas descritos para identificar a contaminação e por isso resolveu apresentar uma contraprova de um consultório particular
que negava a doença. A cadela foi popuada.


