Brasília, 11 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso comprometeu-se hoje, segundo representantes do movimento de desarmamento do Rio de Janeiro, a baixar uma resolução fixando um prazo mais rígido para que as indústrias de fabricação de armas informem ao Sistema Nacional de Armas (Sinarm) a relação de compradores. "Desta forma será possível descobrir como elas chegam às mãos dos bandidos", afirmou o deputado estadual, Carlos Minc (PT).
No encontro com o presidente, Minc contou a Fernando Henrique que há três meses foram apreendidos na favela Beira Mar - onde atua o traficante Fernandinho Beira Mar - 65.000 cartuchos de fuzis. Destes, 40.000 eram lotes numerados e foram fabricados pela Companhia Brasileira de Cartuchos (empresa gaúcha). "Até hoje a empresa não informou ao Sinarm para quem eles foram vendidos", comentou o deputado.
Segundo os representantes do movimento, 83% das armas apreendidas no Rio são feitas por indústrias brasileiras. "São as indústrias brasileiras as donas das informações sobre 83% das armas ilegais", comentou o diretor do Viva Rio, Rubem César Fernandes.
"Falta cobrar delas estas informações." No encontro com Fernando Henrique, os representantes do movimento pediram ainda empenho do governo na aprovação do projeto que proíbe a venda de armas. Rubem César afirmou que é preciso a negociação e a troca do relator do projeto, Alberto Fraga (PMDB-DF) é contra a medida e alterou substancialmente o projeto enviado pelo Executivo ao Congresso.
Depois de receber um documento com 1,3 milhão de assinaturas, conseguidas no Rio de Janeiro, em apoio ao projeto, Fernando Henrique salientou que os líderes do governo pediram a tramitação em urgência urgentíssima da proposta no Congresso.
"É preciso fazer uma mobilização nacional, em todos os Estados, como o Rio fez, e o presidente prometeu tomar a frente desta mobilização", contou o deputado Minc. "Esse é o momento propício, já que a sociedade está apoiando a CPI do Narcotráfico e faz uma apelo à impunidade", acrescentou.
Para o diretor do Viva Rio o projeto precisa ser negociado, porque há muita resistência de pessoas que moram em locais ermos. Ele sugere que seja permitido, neste caso, a posse de espingardas. No encontro com o presidente os representantes do movimento pediram ainda a suspensão da venda de armas brasileiras a negociantes particulares do Paraguai.
Segundo o diretor do Viva Rio, as indústrias brasileiras exportam para o Paraguai, que venda armas para o crime no Brasil. "O presidente reconheceu que o problema é grave e prometeu pedir ao Itamaraty que estude o assunto."

mockup