São Paulo, 11 (AE) - Os internos da Unidade Educacional 12 do Complexo Tatuapé da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), em São Paulo iniciaram uma rebelião por volta das 18 horas de hoje. Eles tomaram dois monitores e quatro menores da UE-3 como reféns. Policiais militares que fazem a segurança no entorno do quadrilátero acionaram a Tropa de Choque. O reforço, acompanhado do diretor da unidade, entrou na UE12 e libertou os reféns. Os menores foram levados ao pátio, onde, sem roupas, ficaram encostados no muro, sob a vigilância de soldados.
Questionado sobre as constantes fugas na Febem, o governador Mário Covas declarou: "A Febem não é uma prisão convencional e é natural: quem está preso quer sair." Ele disse
ainda, que são abertas sindicâncias para todas as fugas descobertas e há evidências de complacência de funcionários em alguns casos. "Muita gente já foi despedida por isso."
Nos dias 17 e 18, Covas pretende apresentar o novo programa pedagógico da Febem. Ele está convidando as entidades e a população para aderir à discussão. "Não quero empurrar pela goela abaixo de ninguém um projeto só nosso", disse Covas. "O Estado não abre mão da responsabilidade, mas queremos que o plano da nova Febem seja da Igreja, do Ministério Público, de toda a sociedade."
Para o arcebispo de São Paulo, d. Cláudio Hummes, se houver um projeto educacional, e não carcerário, para os menores infratores, a Igreja terá muito a contribuir. "A esperança é a última que morre, mas as pessoas não podem esquecer do problema: estão lá jovens gerados pela sociedade e ela tem de amá-los e acolhê-los."





