São Paulo, 11 (AE) - Consumidores que fizeram pedidos de carros movidos a álcool estão cancelando as encomendas por causa do aumento do preço do combustível. As vendas nas concessionárias estão quase paradas, depois de um "boom" no consumo nos últimos meses. Entre janeiro e outubro, foram vendidos 7.754 veículos a álcool, 533% mais que em todo o ano passado.
Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, as montadoras confirmam queda nos pedidos. Hoje, só a Volkswagen e a Fiat mantêm a produção de carros a álcool. A Fiat recebeu 4 mil pedidos para dezembro, mas 10% já foram cancelados.
A General Motors comprometeu-se com os governos federal e de São Paulo a lançar um modelo a álcool este mês e a Ford, no início de 2000. Ambas informaram hoje que mantêm os planos. "Mas só vamos produzir conforme a demanda", adiantou Pinheiro Neto, que também é vice-presidente da GM.
A revenda Volkswagen Davox, em São Paulo, teve quatro pedidos cancelados este mês. Outros consumidores estão aguardando as medidas do governo para conter o aumento do preço do álcool para confirmar a compra. Até outubro, a loja vinha mantendo vendas de 15 a 20 unidades mensais, segundo o diretor da Davox, Nicolau Kohn.
Na Sopave, também em São Paulo, as vendas chegavam a 40 unidades ao mês. "Em novembro, no entanto, não vendemos nada", afirmou o diretor de Marketing Naul Ozi. A Monteauto - revenda instalada na cidade de Monte Alto, na região de Ribeirão Preto, uma das maiores produtoras de cana - registrou queda de 20 para seis unidades em novembro.
Segundo revendedores, o aumento do preço pode fazer com que o programa de incentivo ao álcool caia novamente em descrédito. "O governo criou estímulos para a venda de carros a álcool e o reajuste nesse momento é incoerente", disse Kohn.
"O governo e os usineiros deveriam fazer um pronunciamento informando como vão ficar os preços daqui para frente para que o consumidor possa fazer sua opção", sugeriu Ozi.
Quem adquiriu um automóvel a álcool recentemente, atraído até pelos incentivos do governo, como a doação, no Estado de São Paulo de mil litros de combustível, está preocupado. "Pretendo viajar com o carro no fim do ano e tenho receio de que não possa abastecê-lo no caminho, caso ocorra algum problema e os usineiros deixem de produzir álcool", disse o microempresário Clóvis Brito Campos.
Ele adquiriu um Gol 1.0 em setembro, quando o litro do álcool custava R$ 0,37. Campos afirmou sentir-se lesado por acreditar nas informações de reativação do Proálcool e nas promessas de que não haveria risco de falta de combustível.
O programador Marcelo Pereira também disse temer a explosão de preços, mas ainda não se arrependeu de ter adquirido
há dois meses, um Santana a álcool. "No início eu economizava R$ 110,00 por mês em relação à gasolina", disse, ressaltando que a economia hoje é menor, mas ainda compensa.

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