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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 11 (AE) - A inflação tem superado as expectativas por causa de uma conjunção de fatores, entre eles a recuperação dos preços internacionais das commodities e uma entressafra agrícola rigorosa, disse o secretário-adjunto de Política Econômica, Fernando Montero.
Houve, além disso, alguns fatores pontuais que ajudam a explicar a inflação: o fim do subsídio ao álcool hidratado e o término do acordo entre governo e montadoras. "Muitos desses efeitos vão se reverter no início do ano que vem", comentou.
A recuperação dos preços das commodities no mercado internacional tem efeito sobre a inflação não só por causa dos produtos importados pelo País, como petróleo e trigo. Também os produtos exportados pelo Brasil, ao encontrar preços mais atraentes lá fora, acabam subindo no mercado interno, pois o produtor tende a buscar, no País, um preço semelhante ao encontrado no exterior. É o caso, por exemplo, do café, do açúcar e da carne de frango.
Montero acredita, porém, que boa parte da inflação captada para o mês de outubro foi influenciada pelos fatores pontuais. O governo eliminou o subsídio ao álcool esperando reajustes de no máximo 6% nas bombas, mas os preços tiveram reajuste de até 50%. Além disso, em setembro, terminou o acordo que reduzia o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros, levando as montadoras a reajustar seus preços. De acordo com técnicos do Ministério da Fazenda, só os carros responderam por 0,4 ponto do 1,19% registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O secretário-adjunto disse que, no início de 2000, algumas pressões sobre a inflação desaparecerão. Em primeiro lugar, por causa do ingresso da safra agrícola. "Estamos vindo de uma entressafra complicada", disse ele. Os preços do feijão, por exemplo, subiram 115% desde julho e a entressafra da carne bovina foi a mais rigorosa dos últimos cinco anos.
Além disso, o próprio mercado vem trabalhando com alguma queda do dólar no início de 2000. Isso ajudará a reduzir os preços dos produtos importados, o que poderá ter reflexos positivos sobretudo no atacado. Esses dois fatores, aliados à queda na atividade econômica que tradicionalmente ocorre no primeiro trimestre, deverão conter a inflação, avaliou Montero.
Ele negou que a inflação medida pelos índices de preços ao consumidor esteja alta devido ao repasse de reajustes que estavam represados no atacado. "Os índices do atacado e dos preços ao consumidor movem-se sincronicamente, mas em intensidades diferentes", disse. Em outras palavras, na interpretação do governo, a inflação ocorrida no atacado é registrada ao mesmo tempo nos índices de preço ao consumidor. Porém, não há mais mecanismos automáticos de repasse entre um e outro, o que faz com que a intensidade do aumento dos preços não seja a mesma no atacado e no varejo.
Montero disse, ainda, que a recuperação dos preços internacionais das commodities, embora esteja pressionando a inflação, é algo importante para a economia brasileira. Ele explicou que o Brasil exportou, neste ano, maior quantidade de produtos do que em 98. No entanto, como os preços das commodities estava depreciado no mercado internacional, as receitas de exportação não refletiram o crescimento nos volumes de venda ao exterior. Agora, com a recuperação dos preços das commodities, as exportações deverão beneficiar-se. E, havendo maiores exportações, haverá também maior ingresso de dólares no mercado brasileiro, fazendo baixar a cotação. "A apreciação do câmbio só não está ocorrendo porque estamos num momento de liquidez baixa, devido à concentração de pagamentos da dívida externa", disse.


