São Paulo, 11 (AE) - O economista Paulo Nogueira Batista
da FGV-SP, disse hoje que há risco de um "descontrole" dos preços, mas ainda pequeno, porque o nível de atividade econômica continua baixo. Segundo ele, ao manter a taxa Selic em 19% ontem
o Banco Central deu um "sinal de insegurança" em relação ao desempenho da inflação.
Segundo ele, se o Banco Central conseguir reverter o câmbio para "níveis mais normais", o impacto da desvalorização nos preços do atacado seria minimizado. E, consequentemente, a possibilidade de uma escalada dos preços ao consumidor seria reduzida. "O governo tem instrumentos para isso", disse, citando a política monetária e uma atuação mais decidida do BC na área de câmbio.
"O Banco Central mostrou hesitação e negligência para conseguir autorização do FMI para atuar no câmbio e reverter a desvalorização do real", disse Nogueira Batista, atribuindo isso ao fato do BC ter uma diretoria "fraca e inexperiente, com uma ou outra exceção". "A prova disso foi o anúncio da livre conversabilidade em curto prazo." Nogueira considera um "disparate" essa proposta à medida que há defensores do controle de capitais até no FMI.
Nogueira Batista acredita que o cenário macroeconômico é "medíocre", já que o governo não "conseguiu progresso em nenhuma área". Segundo ele, mesmo o superávit fiscal de 99 não é uma vitória expressiva já que a dívida pública cresceu. A perspectiva de crescimento das exportações nos próximos meses também não é animadora, de acordo com o economista porque uma reação será gradual.

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