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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 11 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, garantiu que o banco não mudará seu procedimento de financiamento às privatizações por causa da liminar concedida ontem contra o empréstimo à AES. O banco concedeu cerca de R$ 360 milhões, metade do preço mínimo estipulado para o leilão da Cesp Tietê, à empresa norte-americana, vencedora da licitação.
"O BNDES continua acompanhando detalhadamente cada processo de privatização com diretrizes de, sempre que possível, financiar empresas nacionais, mas mantendo sobretudo o interesse nacional", afirmou Calabi, que participou hoje da assinatura do protocolo de intenções para a construção do Pólo Gás Químico do Rio. "Vamos continuar analisando caso a caso", completou.
O presidente do BNDES declarou ser "provável" que o banco financie empresas estrangeiras interessadas na privatização de Furnas, Chesf e Eletronorte. Segundo ele, normalmente as empresas estrangeiras não precisam recorrer ao banco, porque captam mais barato. Mas como o banco está conseguindo condições mais fáceis de captação no exterior, pode ter mais recursos e "financiar o desenvolvimento do Brasil por meio do financiamento a investidores estrangeiros".
Calabi não leu "diretamente" o texto do ofício enviado na quarta-feira pela 10ª Vara Federal de São Paulo, informando sobre a liminar concedida ao radialista João Carlos Sanchez. O autor da ação questionou o fato de um banco público nacional emprestar dinheiro a companhias internacionais compradoras de estatais brasileiras. Outras liminares foram pedidas por entidades sindicais, sob a alegação de que o financiamento do banco deveria ser usado apenas por empresas brasileiras, que têm maior dificuldade em conseguir recursos externos a taxas mais baixas.
O presidente do BNDES confirmou o que a superintendente jurídica do banco, Mariza Giannini, informara no dia anterior: como o financiamento à AES foi concedido no último dia 4, a liminar teria "perdido o objeto" - e o efeito. "Não cabe ação alguma, em função disso", declarou Calabi. Ele disse que o BNDES está apenas "oficiando" informações à Justiça.


