Rio, 11 (AE) - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera afastada a hipótese de volta da escalada inflacionária, pelo menos no curto prazo, apesar dos altos índices de outubro, divulgados nos últimos dias pela Fipe, Fundação Getúlio Vargas e IBGE. "Não tem incêndio na floresta"
ameniza o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
Na publicação "Informe Conjuntural", divulgada hoje, a média das estimativas para a inflação de outubro é apontada em 0 54%. O cálculo havia sido feito antes dos anúncios do Índice Geral de Preços (IGP-DI), da FGV, que ficou 1,89%, e do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), da IBGE, de 1,19%, que ocorreram ontem e hoje, respectivamente.
Castelo Branco lembrou que a recente mudança na metodologia de cálculo do IPCA distorceu o resultado em relação ao mês anterior. Além disso, ele argumenta que o repasse do aumento de custos no atacado para os preços ao consumidor, que ficou constatado no último levantamento da FGV, não está sendo generalizado. "O importante é que não está havendo indexação, até porque não há mais espaço para isso." Para o economista, a reação do mercado financeiro à divulgação dos últimos índices reflete "um curtoprazismo exacerbado". Ele comenta que o País está sendo visto mais positivamente pelo mercado externo do que internamente. "A recuperação grande do C-Bond (principal título da dívida externa brasileira) nas últimas semanas é um sinal claro de que o risco Brasil, visto de fora, se reduziu." A CNI estima como pontuais os repiques de inflação e trabalha com a possibilidade de recuo no câmbio a partir do início do ano que vem. No documento divulgado hoje, a entidade classificou de "certo exagero" as apreensões do mercado em torno do câmbio e da inflação, tendo em vista as condições atuais da economia. Mesmo assim, a CNI reitera que o crescimento do PIB este ano será "apenas ligeiramente superior a zero". Com isso, a economia brasileira, ao fim de 1999, completará dois anos de virtual estagnação.

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