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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 11 (AE) - O governo vai adiar para o início do próximo ano o fim do subsídio ao álcool anidro, que compõe 24% da gasolina. Mesmo com o anúncio feito em outubro, pelo Conselho Interministerial do Açúcar e do álcool (Cima), de que esta subvenção seria extinta este mês, o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, admitiu hoje que o assunto ainda está sendo analisado pelo governo. "Precisamos decidir se e quando vai ocorrer o fim do subsídio ao anidro", disse o ministro.
Segundo um técnico do governo, a decisão de adiamento para janeiro deve-se aos aumentos nos preços da gasolina, que vem ocorrendo desde que foi extinto o subsídio ao álcool hidratado (combustível). O temor é que o fim do subsídio ao anidro leve a aumentos ainda maiores. "Lamentavelmente o fim do subsídio ao hidratado contaminou a gasolina, o que é injustificável", afirmou Tourinho.
De acordo com o ministro, "se e quando" o subsídio ao anidro for extinto, "o aumento máximo que pode haver no preço da gasolina será inferior a 1% para o consumidor final". O governo acusa os distribuidores de combustível de estarem formando um cartel para especular sobre os preços do derivado. "No caso da gasolina é pura especulação, porque não há nenhuma razão para a gasolina ter 1% de aumento", lembrou Tourinho.
O fim do subsídio ao álcool anidro chegou a ser anunciado pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura
Márcio Fortes de Almeida. Em 1º de novembro, porém, só foi extinta a subvenção do álcool hidratado. Segundo o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Samico, o fim deste subsídio não ocorreu apenas porque ainda se estuda como será feita a divisão entre o valor pago a título de apoio aos usineiros e a parte relativa à equalização do preço da cana no caso anidro.
Segundo Almeida, a subvenção ao álcool anidro vigora ainda no Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. O governo decidiu acabar com o subsídio sobre o preço do álcool anidro para as distribuidoras , mas vai manter a subvenção aos produtores de cana, que era de R$ 5,07 por tonelada de cana moída.
Tourinho afirmou que a decisão do comitê executivo do Cima, de não fazer mais operações de warrantage, ou seja, financiamento de estoques, servirá para "equilibrar o problema dos estoques do álcool e preço". Ele admitiu que outras providências podem ser tomadas, como alterar o percentual de álcool anidro que é misturado à gasolina. "Posso alterar a adição de álcool anidro e até colocar outra mistura", afirmou.


