Ribeirão Preto, SP, 11 (AE) - O presidente da Usina Vale do Rosário, de Morro Agudo (interior de São Paulo), vice-presidente do Sindicato do álcool e delegado brasileiro para assuntos de açúcar e álcool no Mercosul, Cícero Junqueira Franco, considerado um dos mentores do Programa Nacional do álcool, fez hoje duras críticas à decisão do governo, de suspender financiamentos ao setor. Ele acusou o governo de "crime de lesa-pátria", por "tratar da questão do álcool como econômica e não como estratégica para o País.
"O (Rodolpho) Tourinho (ministro das Minas e Energia) não entende nada. Ele não sabe sequer ler números e só está no cargo em que está por conta de politicagem", disse o usineiro. "Se ele entendesse alguma coisa, criaria uma política de fiscalização e de incentivos para o setor como estratégia para fazer com que o Brasil dependa cada vez menos do petróleo, economizando divisas na importação deste produto e, em contrapartida pensando até mesmo em exportar o excedente de álcool combustível", disse ele.
Franco afirmou ainda que o governo "praticamente está jogando fora estoques de álcool num momento em que não há necessidade de fazer isso". "Se posteriormente faltasse álcool no mercado, o governo poderia entrar com estes estoques que já levam o nome de reguladores por terem esta função. Mas, agora, se faltar o álcool, ninguém poderá acusar o setor. A culpa será toda do governo por não ouvir o que estamos cansados de esbravejar", disse, comentando a decisão do governo em suspender o financiamento à estocagem do produto, o que deverá fazer com que chegue ao mercado, de imediato, 260 milhões de litros de álcool.

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