Rio, 11 (AE) - O aumento de 12,22% do preço dos automóveis novos fez com que a inflação de outubro chegasse a 1 19%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa, 0,88 ponto percentual acima da de setembro, é a maior registrada pelo índice desde junho de 1996, quando ficou também em 1,19%. O IPCA é o indexador usado para a meta de inflação que o Banco Central (BC) tem de atingir, segundo a nova política de atuação da instituição, adotada a partir deste ano.
Com o resultado, a alta acumulada de janeiro a outubro é de 7,27% - apenas 0,73 ponto percentual abaixo da meta de 8% de inflação do BC. Para que este número seja atingido, as taxas de novembro e dezembro terão de ser de até 0,34% em cada mês. A chefe do Departamento de Pesquisas de Preços do IBGE, Márcia Quintslr, não quis prever se há condições de este patamar ser alcançado. Mas afirmou que é "impossível" que o IPCA do ano ultrapasse os 10% - taxa com a maior margem de erro permitida ao BC, pelas metas fixadas pelo Ministério da Fazenda.
"Tudo vai depender do comportamento dos preços do vestuário e dos alimentos", afirmou."Estes preços são estabelecidos pelo mercado e por isso não há como fazer previsões com certeza." A chefe do departamento lembrou que o efeito do reajuste dos automóveis não deve ter influência nos dois últimos meses do ano porque os preços dos carros novos foram colhidos nas montadoras, e não nas concessionárias. Caso contrário, a alta deste mês seria menor, mas o item continuaria apesar na inflação nos próximos meses.
Além do novo preço dos automóveis, o aumento de 10,6% do preço do álcool contribuiu para tornar os transportes o grupo de produtos e serviços com a maior alta no IPCA, de 3,24%. A variação de 1,02% dos produtos não-alimentícios, em outubro, também sofreu pressão do aumento de 1,04% dos preços do vestuário, como reflexo da entrada da nova coleção de roupas da primavera e do verão no mercado. Em setembro, as roupas variaram somente 0,35%, e os produtos não-alimentícios tiveram elevação de 0,30%.
Alimentos - A entressafra e problemas climáticos causaram a variação de 1,77% dos alimentos em outubro. O aumento que teve mais peso na formação do IPCA foi o da carne (9,19%), mas as maiores elevações foram do açúcar cristal (16,07%), açúcar refinado (14,25%) e da carne-seca (12,51%).
As economistas do IBGE informaram que o IPCA não captou reajustes causados pelo aumento da demanda. Este fator foi citado ontem pelo economista Paulo Sidney Melo Cota, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), para explicar a inflação de 1,89% no mês passado, medida pelo Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI).
O IPCA na região metropolitana de São Paulo foi de 1,42% no mês passado - taxa 1,06 ponto percentual acima da apurada em setembro. No entanto, a inflação de Goiânia (1,73%) foi a maior apurada nos 11 locais pesquisados para o cálculo da inflação pelo IBGE. O menor índice, de 0,82%, ficou em Belo Horizonte.
INPC - Sem a influência do reajuste dos automóveis, a inflação de outubro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), foi menor e ficou em 0,96%, segundo o IBGE. O índice mede a variação do custo de vida para famílias com renda entre um e oito salários mínimos. O IPCA mede a inflação para famílias com renda entre um e quarenta salários mínimos. Os alimentos, com alta de 2,40%, foram os maiores responsáveis pela taxa do INPC, a maior desde março, que ficou em 1,28%.

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