Paris, 09 (AE) - O ex-ministro Bresser Pereira disse nesta terça-feira (09) em Paris que o ex-presidente da Internacional Socialista, Pierre Mauroy - substituído hoje pelo português Antônio Guterres -, cometeu uma "lamentável confusão" ao afirmar que não havia espaço para uma eventual participação do PSDB no Congresso da Internacional Socialista, pois o presidente Fernando Henrique Cardoso optou por governar com uma aliança de direita, enquanto os dois partidos mais próximos da IS encontram-se na oposição.
Bresser Pereira foi designado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para assessorá-lo na preparação da comitiva brasileira na reunião de Florença, dia 20, da qual participarão o presidente norte-americano Bill Clinton e dirigentes social-democratas europeus.
Segundo o ex-ministro, tanto FHC quanto seu partido, do qual o próprio Bresser Pereira faz parte, estão bem mais à esquerda do que muitos partidos que integram atualmente a IS.
A seu ver, a IS deveria ter convidado o PSDB se está disposta a reforçar a social-democracia, pois seria melhor unir do que dividir - a exemplo do que fez com o PT, que participou como observador, mesmo se o PDT permanecesse como o único filiado efetivo da organização.
Bresser Pereira explicou que o governo brasileiro é de coalizão com forças de centro-esquerda, como PSDB e PMDB, e de direita, o PFL, ao contrário do que ocorre em Portugal, Inglaterra, França e outros países governados por social-democratas.
Para Bresser, a Internacional Socialista é uma organização que reúne partidos e não governos que podem, eventualmente, participar de coalizões.
Por isso ele considera que as declarações de Pierre Mauroy não contribuíram para fortalecer a social-democracia.
Hoje, em seu discurso de posse na presidência da IS, o primeiro-ministro português Antônio Guterres, fez questão de deixar claro que a IS tem suas fronteiras, mas defendeu uma maior cooperação com partidos democráticos, entre eles o Partido Democrata norte-americano, de Bill Clinton, e os de outras regiões do mundo.
Esse pode ser o início de uma recentralização da IS após um período de socialismo mais ortodoxo. Ao que tudo indica, caminha-se para uma maior cooperação entre os partidos social-democratas e as agremiações democráticas que não integram a IS.
Eles excluem, entretanto, a possibilidade de uma integração desses partidos ou da criação de uma IS mais centrista, como desejava o primeiro-ministro trabalhista da Grã-Bretanha, Tony Blair.

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