Santiago, 09 (AE) - A pouco mais de 30 dias das eleições presidenciais, o governo do Chile enfrenta várias greves em diversos setores, além da ameaça de paralisação do serviço telefônico em todo país na antevéspera do primeiro turno das eleições.
A crise econômica, que fez a taxa de desemprego dobrar no último ano, aumentou a insatisfação dos trabalhadores. Alguns dos movimentos articulados pelos sindicatos protestam contra demissões de funcionários.
Uma das greves que está mais afetando a população é a de médicos do setor público. A greve começou na semana passada, paralisando paulatinamente os serviços não emergenciais de hospitais estatais em todo país. Os médicos querem reajustes de salário, mas ainda não chegaram a um acordo com o governo, apesar de negociações que já duram mais de duas semanas. Na próxima sexta-feira, se não houver acordo, os médicos prometem paralisar todos os hospitais do Chile ao mesmo tempo, fazendo apenas atendimentos de emergência e suspendendo consultas e cirurgias marcadas.
Outra greve que mobiliza a atenção dos chilenos é a dos funcionários do Teatro Municipal de Santiago. Os funcionários estão parados há 40 dias, pedindo reajustes de salários e outros benefícios. Alguns funcionários chegaram a invadir e ocupar o teatro, mas a prefeitura de Santiago chamou a polícia e colocou os grevistas para fora à força. Hoje, começou uma greve de fome de nove funcionários.
Os portuários começaram hoje uma paralisação de 24 horas em Valparaíso, um dos principais portos do Chile, protestando contra demissões. A paralisação do porto terminará amanhã às 8h (9h de Brasília).
Como se não bastassem essas greves, o sindicato dos trabalhadores em telefonia do Chile (Sinate) promete paralisar as atividades no dia 10 de dezembro, dois dias antes das eleições presidenciais, em protesto às demissões feitas pela espanhola Telefonica na empresa CTC Chile. Os funcionários tentarão primeiro pedir a ajuda do governo contra as demissões que vêm sendo feitas pela empresa espanhola.
A CTC Chile está fazendo um plano de reestruturação que demitiu, até agora, 1090 pessoas, considerando demissões e adesões ao PDV. Só na semana passada a Telefonica demitiu 356 pessoas. Os funcionários acreditam que a meta da empresa seja de demitir 1600 pessoas.

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