São Paulo, 09 (AE) - A continuidade do mandato do vereador Dito Salim (PPB) depende de uma decisão judicial. Uma ação civil pública movida pelo promotor Luiz Sales do Nascimento, da Promotoria de Justiça da Cidadania do Ministério Público Estadual, pede o afastamento de Salim até que seja julgada uma denúncia de corrupção que envolve o vereador.
Salim declarou-se surpreso com a iniciativa. Disse que já se explicou à polícia, mas pôs-se à disposição do promotor, para mais esclarecimentos.
Em março, o deputado estadual Conte Lopes (PPB) formalizou uma denúncia contra Salim, que teria pedido R$ 6 mil, em julho de 1998, para regularizar obras do empresário William da Silva, dono da empresa de panificação Panco. Lopes registrou a denúncia no mesmo dia em que fez outras acusações contra o ex-vereador Vicente Viscome, cassado posteriormente pela Câmara.
Na ação contra Salim, o promotor considera seu afastamento necessário porque duas testemunhas do caso sofreram ameaças. Para Nascimento, há risco de haver "pressões", que prejudicariam as investigações. O ex-administrador regional de Itaquera Adilson da Silva, indiciado em abril pela polícia, também é citado na ação.
Salim é conhecido como representante de Itaquera na Câmara, apesar de morar num apartamento de alto luxo no Tatuapé, avaliado em R$ 350 mil. Silva é seu vizinho: mora quatro andares abaixo.
O promotor pede a suspensão dos direitos políticos de ambos e o pagamento de multas de até cem vezes os salários que recebiam, além da perda da função.
Salim declarou ao Tribunal Regional Eleitoral em 1995 possuir uma fortuna de R$ 1,2 milhão. Na Câmara, ele tem a imagem de folclórico, por seu provincianismo. Em setembro, sua insistência na criação do Dia do Amigo chegou a paralisar uma sessão. Os vereadores temiam a má repercussão da aprovação do projeto. Indignado, Salim ameaçou: "Para eu matar um não demora muito."

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