Rio de Janeiro, 09 (AE) - A polícia do Rio de Janeiro não descarta a possibilidade do envolvimento do engenheiro de segurança francês Yves Halin, de 48 anos, na morte da mulher, Martine, 45, na noite do último domingo.
Segundo o subsecretário especial de Segurança, Carlos Alberto Nunes Pinto, o resultado negativo do exame de resíduo de pólvora
divulgado hoje pelo Instituto Médico-Legal (IML), não serve como prova técnica para inocentar o francês.
"Estamos investigando a versão de latrocínio (assalto seguido de morte) que ele apresentou à polícia, mas não descartamos qualquer outra linha de ação para as investigações", afirmou Pinto.
O subsecretário explicou que pedirá ajuda à Interpol para realizar um levantamento da vida financeira e pessoal das vítimas.
Na Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat), Halin contou que o casal tinha um seguro de vida pago pela empresa onde ele trabalhava - a Snecma, firma francesa de motores de avião -, mas garantiu que o valor da apólice era baixo.
Segundo a titular da Deat, Maria Tereza Pezzi, o casal também teria feito um seguro de uma casa comprada recentemente na França.
O francês ainda informou à polícia que, sob a mira de um revólver, ele e a mulher foram obrigados a revelar senhas de cartões e percorrer vários caixas eletrônicos da cidade. Halin disse ainda que foi obrigado a assinar cheques de viagem. De acordo com a delegada, os cartões de crédito não foram bloqueados a fim de que a polícia possa rastrear o seu uso.
O corpo de Martine foi encontrado em Itaguaí, na Baixada Fluminense, com um tiro na cabeça depois que o casal tomou, segundo Halin, um táxi branco no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Dentro do táxi, haviam dois assassinos e um deles, que serviu de isca para atrair as vítimas, falava fluentemente francês.
Segundo Tereza Pezzi, os criminosos teriam ido até a Lagoa, na zona sul do Rio, e depois seguiram para Itaguaí. Ali, os ladrões abandonaram o casal e atiraram em Martine. O marido, porém, resolveu correr por "instinto de sobrevivência".
A descrição do crime e o fato de os ladrões não terem roubado as jóias que estavam com Martine - uma aliança de ouro, um anel de prata e um colar de pérolas pretas - intrigou a polícia. A reconstituição do crime, marcada para amanhã, foi adiada a pedido do Consulado da França, responsável pela guarda de Halin.
A hipótese de o casal francês ter pego um táxi bandalha no aeroporto não é impossível. Até a Guarda Municipal, que faz a fiscalização do trânsito na área externa do Galeão, admite a existência da irregularidade.
Atualmente, existem seis cooperativas autorizadas pela Infraero para trabalhar no local, mas, como foi constatado pelo Estado, é frequente a circulação dos piratas pela área de desembarque - chamados de goteiras. No aeroporto, circulam cerca de 50 mil pessoas por dia, soba a proteção de apenas seis PMs e quatro civis.
Halin veio ao Brasil para uma convenção de segurança de vôo, em Copacabana, com 600 participantes de 52 países. No sábado passado, outro participante do evento foi vítima da violência carioca: canadense Norman Bobbit, de 58 anos, foi roubado na Praia de Copacabana por dois homens, que lhe deram duas facadas no braço esquerdo e lhe roubaram R$ 200 e US$ 40. Bobbit voltou no dia seguinte para o Canadá.

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