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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 09 (AE) - O confisco de túmulos é prática comum nos 22 cemitérios públicos municipais de São Paulo. O Serviço Funerário informa que hoje há 1.190 vagas decorrentes de transferências de concessão por abandono de sepultura. Muitos dos antigos proprietários de jazigos contestam a legitimidade das ações e acusam o órgão de repassar os túmulos sem tomar as medidas juridicamente necessárias.
O cirurgião-dentista Linneu Cuffari, de 55 anos, é protagonista de mais um caso envolvendo transferência de túmulo. Treze ossadas foram retiradas da sepultura de sua família, no Cemitério do Araçá, este ano, por suposto abandono. "Quando fui visitar meus parentes, há três semanas, encontrei outro no lugar."
Na semana passada foi revelado um confisco de túmulo no Cemitério da Consolação por suposto abandono, negado pelo antigo concessionário. Quem tomou posse do terreno, cujo metro quadrado gira em torno de R$ 1.700,00, foi a família da advogada do Serviço Funerário, Maida Britto. O caso está sendo averiguado por meio de sindicância interna do Serviço Funerário, por determinação da Superintendência.
Conserto caro - Em 1997, Cuffari recebeu uma carta do Serviço Funerário notificando do mau-estado de conservação da sepultura e foi prontamente ao local. Recebido pelo administrador, foi informado de que o reboque e o conserto da mureta teriam de ser feitos pelas empresas contratadas pelo Serviço Funerário. "O preço era absurdo e não aceitei; propus outro pedereiro, por os reparos eram mínimos, e não deixaram."
Diante do fato, o dentista foi até a sede do órgão, nos baixos do Viaduto Dona Paulina, e assinou um documento no qual dizia estar ciente de que o túmulo estava em más-condições, mas que não o abandonara. "Desde então, não me mandaram nenhuma notificação sobre a transferência", diz ele, que não mudou de endereço, nem de telefone nesse meio tempo.
"Quando fui ao cemitério esta semana, o túmulo, que tem uma capelinha, estava completamente destruído; nem parecia a situação de reboque anterior." Só no Cemitério do Araçá há 172 túmulos vagos por abandono.
João Francisco Penna também reclama de injustiça. A família tinha um jazigo no Cemitério Quarta Parada, no Brás, zona leste. Ele soube que perdera o terreno em julho. A mesma história: abandono. "Não me procuraram; meu telefone está na lista", acusa.
O Serviço Funerário disse que vai analisar os processos antes de comentá-los.


