Belém, 09 (AE) - A Polícia Federal vem investigando há aproximadamente dois anos as atividades do pesquisador alemão Hans Korneze, suspeito de ser um dos líderes da biopirataria na Amazônia. Segundo denúncias, Korneze teria contrabandeado, sozinho, mais de mil aranhas-caranguejeiras, cuja cotação em alguns países da Europa alcança US$ 5 mil por exemplar.
De acordo com a PF, era para o pesquisador alemão que se destinavam as 94 aranhas encontradas em poder da paraense Keila Marinho, detida no Recife no sábado, quando embarcaria para a Suíça.
As ligações de Korneze com Keila e outras pessoas residentes em vários pontos da Amazônia, principalmente na região do Rio Arapiuns, em Santarém, oeste do Pará, estão sendo levantadas. Um delegado da PF em Santarém, no entanto, disse que ainda não há provas suficientes para indiciar o alemão por biopirataria.
Contrabando - O biólogo Hamilton Cazarra, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, ressaltou que pesquisadores estrangeiros estão contrabandeando escorpiões, sapos, besouros e cobras para países como França, Alemanha e Suíça. O preço de um sapo comprado de ribeirinhos no Rio Arapiuns em média é de R$ 5, mas no exterior atinge até R$ 600. Na Europa, um sapo da espécie dendrobata (venenosa) pode valer até US$ 3 mil.
A cobra, de acordo com o tamanho, vale ainda mais. Se for uma sucuri, é comprada por R$ 20, preço que em outros países pode alcançar mais de US$ 3 mil. "A biopirataria é velha na Amazônia, mas parece aumentar a cada dia, por falta de fiscalização", diz o biólogo Evaldo Maia, de Santarém.
Estrangeiros - Pesquisadores estrangeiros que trabalham no Museu Goeldi, em Belém, evitam comentar o assunto. Os que foram procurados pela reportagem afirmaram não ter tempo para se preocupar com essa questão. Eles disseram ter entrado legalmente no Brasil e garantiram que atuam em convênios com pesquisadores brasileiros, trocando informações de interesse científico. Também afirmaram não conhecer ninguém que pratique biopirataria.

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