Campinas, SP, 09 (AE) - Os servidores da prefeitura, que entram amanhã (10) no 41.º dia de greve, realizam pela manhã uma passeata de protesto pelas ruas centrais de Campinas (SP), pedindo a renúncia do prefeito Francisco Amaral (PPB), que está sendo investigado pela Câmara Municipal. O ato demominado "Fora Chico", marcado para as 10 horas, ganhou apoio de sindicatos, associações de bairro e a entidades estudantis.
Os membros da Comissão Processante da Câmara, que podem pedir o impeachment do prefeito, devem manifestar-se ainda amanhã se prosseguirão com as investigações ou arquivarão o processo. Na segunda-feira, o prefeito apresentou sua defesa, na qual tenta explicar os fatos e questiona a legitimidade dos denunciantes. Os mesmos argumentos já foram utilizados, sem sucesso, na Justiça para impedir a criação da comissão.
Foi o sindicato dos servidores que tomou a iniciativa de reunir provas de irregularidades administrativas na prefeitura. Em documento de mais de 4 mil páginas, os sindicalistas denunciaram superfaturamento nos contratos de terceirização da merenda escolar, segurança e coleta e varrição de lixo. O dossiê foi entregue aos vereadores, que decidiram investigar as denúncias. Acusações - O prefeito é acusado ainda de contratar, sem concurso, 700 funcionários, que estão comissionados na Empresa de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), e 2 mil professores da rede pública de ensino. Também há denúncias de benefícios a grandes empresas, com a redução do Imposto Predial de Territorial Urbano (IPTU), e da não-publicação de 400 nomeações para cargos de comissão, no Diário Oficial do município, como manda a lei.
Pelo levantamento do sindicato, 40% dos 15 mil funcionários estão parados - 70% deles são da área da saúde. A prefeitura garante que o número de servidores que deixaram de comparecer ao trabalho hoje não ultrapassou 9%. O prefeito recebeu, no fim da tarde, uma comissão de servidores para tentar pôr fim à greve. "Mesmo que saia o acordo, voltaremos ao trabalho só quinta-feira, pois o protesto de amanhã será mantido", disse Fábio Custódio, diretor do sindicato.
Os sindicalistas, que não acreditam muito no fim da greve, pretendiam reunir a categoria em assembléia à noite, para avaliar as propostas do prefeito. Os servidores entraram em greve por causa do corte do subsídio do convênio médico, além do atraso no pagamento dos salários. Em outubro, o salário foi pago integralmente só para quem ganha até R$ 700,00.

mockup