São Paulo, 09 (AE) - O Brasil inaugura amanhã (10) o primeiro centro do mundo especializado no rastreamento por satélite de manchas de petróleo em alto mar e regiões costeiras. Resultado da parceria entre a Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a empresa canadense Radarsat, o Centro Brasileiro de Recursos Radarsat permitirá, pela primeira vez, detectar em tempo real até vazamentos muito pequenos (a partir de 50 litros).
Cruzando as informações do satélite Radarsat com dados meteorológicos e de correntes marinhas, o centro possibilitará ainda localizar a origem da mancha e antecipar para onde se desloca. Com isso, será possível conter o vazamento e limpar a área antes de o óleo se espalhar, reduzindo muito o impacto ambiental desses acidentes. Um vazamento que hoje leva dias para ser identificado, com a nova tecnologia poderá ser detectado instantaneamente. "Em questão de horas saberemos de onde veio e para onde se dirige a mancha", explica João Carlos Vassallo, diretor da Threetek, que representa a Radarsat no Brasil. "O sistema permitirá também identificar e punir o responsável pelo vazamento, o que é essencial já que o Brasil está abrindo a área para diversas companhias", diz Sezen Estefen, diretor da Coppe. Segundo ele, em dois meses já será possível apontar, por exemplo
qual navio lavou ilegalmente seus tanques em alto mar, na costa brasileira. Prospecção - Além de proteger o meio ambiente, o centro poderá ajudar a localizar novas jazidas marítimas de petróleo. Isso porque a análise das imagens do satélite canadense pelos supercomputadores da Coppe permitirá diferenciar manchas originárias de vazamentos de navios ou plataformas de manchas naturais, provenientes de reservas subterrâneas, localizadas no fundo do oceano que, às vezes, vazam para o mar. "Nenhum dos centros que monitoram petróleo é capaz de rastrear com esse detalhe, porque nenhum é especializado nisso", diz Bill Jefferies, presidente da Radarsat Internacional.
"Isso poderá reduzir muito os custos da prospecção, valorizando os campos de petróleo nacionais exatamente no momento em que o Brasil se prepara para licitar as concessões de exploração", frisa Luiz Landau, coordenador do laboratório da Coppe, que sediará o novo centro. O nível de detalhamento de dados sobre petróleo que o novo centro deve produzir deve-se tanto às características do satélite canadense como aos softwares específicos que a Coppe está desenvolvendo. O Radarsat é o único satélite tipo radar do mundo capaz de captar microondas com grande variação do ângulo de incidência dessas microondas. "Estudamos qual o ângulo mais favorável para detectar óleo", explica Vassallo.
No início, o centro brasileiro processará as informações do satélite captadas pela Radarsat do Canadá. Até o fim do ano que vem, porém, a Coppe espera ter concluído sua própria central de captação dos sinais do satélite. A idéia é iniciar o rastreamento nas Bacias de Campos e de Santos e, em seguida, estendê-lo ao Nordeste. Orçado em cerca de US$ 10 milhões, o projeto deve ser financiado com os royalties do petróleo destinados por lei a pesquisas na área. As direções da Radarsat e da Coppe estão confiantes nas possibilidades de, em breve, exportar essa tecnologia para empresas que exploram petróleo em outras áreas marítimas do mundo.

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