São Paulo, 09 (AE) - O superintendente do MorumbiShopping, Cláudio Sallum, admitiu hoje que houve negligência da Paris Filmes na administração das seis salas de cinema, interditadas na tarde de segunda-feira, pelo Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru). De acordo com o laudo dos técnicos municipais, foi constatada a inoperância do sistema de alarmes, os equipamentos elétricos estavam fora do quadro de força e havia partes de fiação exposta.
"Houve negligência do inquilino, que deve ser recuperada o mais rapidamente possível", afirmou Sallum. O administrador, no entanto, fez questão de ressaltar que a falta de quesitos de segurança, relatada pelo Contru, diz respeito à área interna do cinema, e não ao shopping center como um todo. "Estamos rigorosamente em dia com a segurança", disse. "Há alarmes contra incêndio, do tipo que se quebra um vidro para apertar um botão, em toda a área do shopping e também dentro das salas de cinema".
Esses alarmes não foram acionados no dia em que o estudante de medicina Mateus da Costa Meira matou três pessoas a tiros de submetralhadora e feriu outras cinco. Um dos pontos mais graves apontados pelo diretor do Contru, Carlos Alberto Venturelli, foi a constatação de que, das salas de cinema, não é possível acionar o sistema de segurança central do shopping. O diretor do Contru disse que, na sexta-feira, foi informado que o problema era apenas elétrico e seria resolvido rapidamente, o que não ocorreu.
Hoje, a administração do shopping alegou que ainda não foi informada oficialmente pela Paris Filmes sobre as razões dos problemas. "Ainda não conseguimos obter do cinema uma resposta sobre o que está irregular", disse Sallum. O MorumbiShopping informou que no cinema há três dispositivos de segurança: um alarme com botão em cada sala, um nos corredores e um na tesouraria. Apesar disso, as seis salas continuavam interditadas hoje, ainda sem prazo de reabertura - o que só ocorrerá depois de nova vistoria dos técnicos do Contru. Ambulância - O diretor do Contru criticou o fato de as vítimas do tiroteio terem sido atendidas em carros de polícia, e não na ambulância do shopping. O superintendente do MorumbiShopping afirmou que, na hora do crime, não havia médico de plantão e a ambulância não estava no shopping. "A ambulância fica numa clínica, a JP Salva, com a qual temos convênio", afirmou. Ele disse que ainda não avaliou se, a partir de agora, a ambulância deverá permanecer no shopping. Procurada pela reportagem, a Paris Filmes não respondeu às ligações.

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