São Paulo, 09 (AE) - A polícia vai reconstituir amanhã (10) à noite os momentos de terror vividos por dezenas de pessoas no interior do cine 5, do MorumbiShopping, na quarta-feira passada, provocados pelo estudante de medicina Mateus da Costa Meira, de 24 anos. Com uma submetralhadora apontada para a platéia, Meira deu 40 tiros, matou três pessoas e feriu outras cinco. Aluno do sexto ano da Faculdade de Medicina, da Santa Casa de Misericórdia, Meira não vai estar presente.
A reconstituição, que será feita pelas testemunhas, estava marcada a princípio para a sexta-feira mas o delegado Olavo Reino Francisco, seccional sul e coordenador das investigações, decidiu antecipar. "Vamos concluir o inquérito na sexta-feira e mandá-lo para a Justiça", adiantou. Os peritos criminais Heitor Bacchi Júnior e João Aparício La Regina serão os responsáveis pelo laudo da reconstituição. Eles estarão às 19 horas acompanhados de dois desenhistas e um fotógrafo. Todos integram o Núcleo de Crimes Contra a Pessoa, do Instituto de Criminalística (IC).
O advogado Eduardo Pizarro Carnelós, que defende Meira, entregou hoje petição ao delegado Virgílio Guerreiro Neto, do 96.º Distrito Policial, que preside o inquérito, informando que não há necessidade da reconstituição e da presença de seu cliente no cinema. "Mateus é réu confesso e pelo que eu entendo a reconstituição é necessária somente quando existe qualquer duvida da autoria de um crime". Tratamento - Para Carnelós, seu cliente precisa de tratamento psiquiátrico intensivo e assim que o inquérito chegar à Justiça vai pedir ao juiz exame de incidente de insanidade mental. "É um exame para verificar se Mateus tinha consciência do ato que praticou". Meira continua numa cela do 96.º Distrito Policial, do Brooklin, separado dos demais presos. Ele tem tomado medicamentos para depressão receitados pelo psiquiatra José Cassio Nascimento Pitta, que tem estado na delegacia todos os dias.
O estudante tem se alimentado normalmente e reclamado apenas das condições da cela. "Expliquei a Mateus que terá de se acostumar com sua nova vida e as cadeias em São Paulo apresentam superlotação", disse Carnelós. Pai - A transferência de Meira para o 13.º DP, da Casa Verde, poderá ocorrer amanhã. "Acho que ele deve sair daqui (96.º DP) e o melhor local será mesmo o distrito da Casa Verde", declarou o advogado. Hoje, Meira recebeu a visita do pai, o médico oftamologista Deolino Vanderlei Meira, com quem conversou demoradamente. A visita deveria ocorrer amanhã, dia em que todos os presos do distrito recebem seus parentes. Para evitar possível tumulto pela curiosidade das visitas em ver Meira, o delegado Francisco permitiu que Deolino antecipasse a visita.
O estudante, segundo policiais, tem perguntado da mãe, Alina, que está doente e ficou na Bahia. Deolino disse a um primo, morador na Lapa, em São Paulo, que continua tentando entender a atitude do filho. Depoimentos - As pessoas feridas pelos tiros da submetralhadora do estudante de medicina, que tiveram alta médica, estão sendo ouvidas pelo delegado Guerreiro do 96.º DP. O inquérito já tem dois volumes e quase 200 páginas. Falta à polícia apurar a origem da submetralhadora, a ligação entre o estudante e Marcos Paulo Almeida Santos, que teria vendido a arma, e examinar os disquetes e a memória dos computadores apreendidos no apartamento de Meira. (Colaborou Renata Rondino)

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