São Paulo, 09 (AE) - Alam Michel de Souza Oliveira, de 9 anos, que morreu ontem (AE), após cair numa caixa-dágua do edifício do antigo Hotel São Paulo, no centro de São Paulo, foi enterrado hoje, às 10 horas, no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha. O prédio onde aconteceu o acidente foi ocupado domingo à noite pela União dos Movimentos de Moradia (UMM). Hoje o presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), Goro Hama, disse que os organizadores das invasões aos prédios abandonados de São Paulo devem responsabilizados pela morte do menino. Em 20 dias, essa foi a sétima ocupação feita pelo grupo.
O menino jogava futebol e, ao tentar pegar a bola, que ele pensava ter caído numa laje, pisou na tampa de madeira da caixa-dágua, que estava podre, caiude uma altura de cerca de 3 metros e se afogou. "Há 24 anos o antigo Hotel São Paulo está fechado e, nesse tempo, ninguém quis comprá-lo; é evidente que um local assim não tem segurança", afirmou Hama. "Por isso é uma irresponsabilidade invadir um local desses."
Hama admite que os projetos da CDHU não são o bastante para pôr fim ao problema habitacional da cidade. "Nos últimos quatro anos foram entregues 16 mil apartamentos na capital, para famílias que ganham de um a dez salários mínimos", informou. "Estamos fazendo muita coisa, talvez não o suficiente."
De acordo com a UMM, há uma comissão de segurança que reúne as famílias antes da invasão, explicando os riscos. "No primeiro dia, orientamos os pais a não levar os filhos, mas muitos não têm onde deixá-los", afirmou um dos coordenadores do movimento, Benedito Barbosa. Segundo ele, a morte de Alam foi uma fatalidade, um caso isolado. "Quantas pessoas morrem de frio e fome no Estado, vítimas da miséria; esse foi mais um caso."
Enterro - Alam foi enterrado às 10 horas. Abalados com a tragédia, os pais do garoto - o soldador Carlos Roberto de Oliveira e a dona de casa Ivanilde de Oliveira - estavam em estado de choque. Mal conseguiam acompanhar o cortejo até a sepultura de número 587, na quadra 17 do Cemitério Nova Cachoeirinha. "Alam era o único filho de um casal que lutava para conseguir um lugar digno para morar", disse Barbosa. "A culpa de tudo isso é do governo, que não possui projetos concretos na área da habitação."
As despesas do velório e do enterro foram bancadas pela UMM, entidade à qual está filiado o Fórum dos Cortiços, responsável pela invasão do prédio.

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