PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Luciana Garbin e Chico Araújo, especial para a AE 
São Paulo e Brasília, 09 (AE) - Antes de tomar as páginas policiais por matar três pessoas no MorumbiShopping, o estudante Mateus da Costa Meira já frequentava páginas do site da Microsoft. Seu nome aparece num press release em inglês da companhia sobre pirataria de softwares. O texto refere-se ao indiciamento do estudante e dois companheiros, em 1997, por fazer cópias ilegais do Softimage 3D for Windows NT 3.51. Na época, a SoftImage pertencia à Microsoft. Segundo a assessoria de Imprensa da empresa, a Microsoft faz campanhas de combate à pirataria com a Associação Brasileira de Empresas de Software e, por isso, Meira foi citado.
Fã de computadores, o estudante também teria registrado na empresa americana Digiweb dois sites sob o nome Matt Silva. O primeiro, www.cd99.com, em março de 1998, e o segundo, www.terrorista.com, em 1.º de novembro deste ano. Este último estava em construção. Na ficha de registro, Meira dava como contato um endereço de Brasília: quadra 307 da Asa Norte. A aposentada Eunice Ramos da Silva, moradora do local, mesmo longe da tragédia do shopping, passou o dia hoje incomodada, recebendo ligações indagando se Meira, morou ali. "Minha vida virou um inferno".
Ela mora com uma filha, dois netos e sua mãe. "Vivo neste apartamento há 13 anos e esse rapaz, que só vi pelos jornais, nunca esteve aqui", garante. Para ela, o estudante agiu de má-fé ao dar seu endereço em Brasília. "Isso é brincar com as pessoas". Outros moradores do Bloco A, da SQN 307, também asseguram que Meira nunca morou lá. "Nunca vi esse sujeito por aqui", diz o porteiro Paulo César, de 29 anos, há sete trabalhando no prédio de Eunice. O zelador Raimundo Soares, de 52 anos, há 10 no prédio, também disse não ter visto o estudante.
A assessoria da Digiweb brasileira informou que a filial nacional não tem nenhuma relação com os sites cadastrados nos Estados Unidos. A empresa afirma que qualquer nome pode ser facilmente registrado lá e não há como controlar os usuários. Apenas imagens pornográficas e mensagens com vírus podem ser vetadas. Uma das razões para Networksolutions, órgão que autoriza os cadastros, liberar os nomes dos sites é, segundo eles, a quantidade registrada. A cada mês, são cerca de 300 mil.
No Brasil, o controle é feito pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que impede o registro de palavras suspeitas ou de baixo nível. Para evitar o problema, a Digiweb americana enviará os pedidos feitos em português para a Digiweb Brasil, antes de qualquer aprovação.


