PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 09 (AE) - A Confederação Nacional do Transporte (CNT) constatou que 77,5% das rodovias federais têm estado de conservação deficiente ou péssimo. Os números da 4.ª Pesquisa Rodoviária CNT, divulgados hoje, mostram que 22,5% dos 38.188 quilômetros de rodovias federais (74,3% do total do País)
encontram-se em estado bom e ótimo.
A qualidade das estradas, melhorou em relação à última pesquisa, de 1997. Na época, 92,3% das rodovias foram qualificadas como deficientes, ruins e péssimas, ante apenas 7 9% ótimas e boas. "A situação ainda é caótica", disse o presidente da CNT, Clésio Andrade.
"A melhoria é inegável, mas deve ser creditada às rodovias privatizadas", alertou Andrade. Segundo ele, não há motivo para comemorar, pois a melhoria não pode ser considerada uma tendência. "Se o governo não investir mais o quadro poderá ser bem pior no próximo ano", afirmou.
Investimento - Seriam necessários, conforme a CNT, R$ 5 bilhões para recuperar as estradas e R$ 1 bilhão anual para mantê-las. "Estamos falando em um patrimônio público estimado em R$ 200 bilhões", disse Andrade.
O levantamento da CNT, que verificou a qualidade de 63 rodovias do País entre 16 de agosto e 10 de setembro, aponta a Rodovia Presidente Dutra como a melhor estrada brasileira. A seguir, vem a ligação entre São Paulo e Uberaba (MG), que em 1997 estava em décimo lugar. A terceira é a rodovia Ourinhos (SP)-Cascavel (PR), que ocupava a 15.ª posição.
As piores estradas estão, em sua maioria, no Nordeste. O último lugar coube à BR-110, que liga Salvador a Paulo Afonso (BA). Na penúltima posição está a rodovia entre Maceió e Salgueiro (PE). "O Nordeste, que não tem nenhuma estrada privatizada, acabou sendo prejudicado", disse Andrade.
A sinalização das estradas é ruim. A pesquisa detectou que 60,7% da sinalização das rodovias federais está em estado péssimo ou deficiente. Em 1997, 75,2% da sinalização era considerado péssima ou deficiente.
A qualidade da pavimentação evoluiu. A CNT constatou que 62,2% da cobertura de asfalto das rodovias pode ser considerada boa ou ótima. Em 1997, a situação era inversa: apenas 15,3% das estradas tiveram avaliação positiva.
Para os pesquisadores da CNT, o aspecto mais perigoso das rodovias refere-se a características de engenharia. Do total
93,1% das estradas têm trechos com engenharia deficiente ou ruim. "Isto mostra que as estradas brasileiras têm traçados superados e não adaptados às mudanças nos veículos."


