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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Mello e Gustavo Alves 
Rio, 09 (AE) - A polícia do Rio não descarta a possibilidade de envolvimento do engenheiro de segurança francês Yves Halin, de 48 anos, na morte da mulher, Martine, de 45, na noite de domingo. Segundo o subsecretário especial de Segurança, Carlos Alberto Nunes Pinto, o resultado negativo do exame de resíduo de pólvora, divulgado hoje pelo Instituto Médico-Legal (IML), não serve como prova técnica para inocentar o francês. "Estamos investigando a versão de latrocínio (assalto seguido de morte) que ele apresentou à polícia, mas não descartamos qualquer outra linha de ação para as investigações", afirmou Pinto.
O subsecretário antecipou que pedirá ajuda à Interpol para realizar um levantamento da vida financeira e pessoal das vítimas. Na Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat), Halin contou que o casal tinha um seguro de vida pago pela empresa onde ele trabalha - a Snecma, firma francesa de motores de avião -, mas garantiu que o valor da apólice era baixo. Segundo a titular da Deat, Maria Tereza Pezzi, o casal também teria feito um seguro de uma casa comprada recentemente na França.
O corpo de Martine foi encontrado em Itaguaí, na Baixada Fluminense, com um tiro na cabeça depois que o casal tomou, segundo Halin, um táxi branco no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Dentro do táxi, haviam dois homens; um deles, que serviu de isca para atrair as vítimas, falava fluentemente francês, contou o turista. DE acordo com Tereza Pezzi, os criminosos teriam ido até a Lagoa, na zona sul do Rio, e depois seguiram para Itaguaí. Ali, os ladrões abandonaram o casal e atiraram em Martine. O marido, porém, resolveu correr por "instinto de sobrevivência". Suspeita - A descrição do crime e o fato de os ladrões não terem roubado as jóias que estavam com Martine - uma aliança de ouro, um anel de prata e um colar de pérolas pretas - intrigou a polícia. A reconstituição do crime, marcada para amanhã (10), foi adiada a pedido do Consulado da França, responsável pela guarda de Halin. A hipótese de o casal francês ter pego um táxi clandestino no aeroporto não é impossível. Até a Guarda Municipal, que faz a fiscalização do trânsito na área externa do Galeão, admite a existência da irregularidade. Atualmente, existem seis cooperativas autorizadas pela Infraero para trabalhar no local, mas, como foi constatado pela reportagem, é frequente a circulação dos piratas pela área de desembarque - chamados de goteiras. No aeroporto, circulam cerca de 50 mil pessoas por dia, sob a proteção de apenas seis policiais militares e quatro civis.
Convenção - Halin veio ao Brasil para uma convenção de segurança de vôo, em Copacabana, com 600 participantes de 52 países. No sábado, outro participante do evento foi vítima da violência carioca. O canadense Norman Bobbit, de 58 anos, foi roubado na Praia de Copacabana por dois homens, que lhe deram duas facadas no braço esquerdo e lhe roubaram R$ 200 e US$ 40. Bobbit voltou no dia seguinte para o Canadá.


