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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Adriana Ferreira 
Rio, 09 (AE) - O crescimento desordenado das cidades de países subdesenvolvidos, devido aos fluxos migratórios da área rural para a urbana, aliado a falta de investimento em infra-estrutura e equipamentos, são alguns dos fatores que fazem a dengue ser uma doença reemergente. As causas deste processo serão tema da palestra "Urbanização, e ecologia do Dengue", que será apresentada, amanhã (10), pelo pesquisador Pedro Luiz Tauil, da Universidade de Brasília, no seminário "Ecossistemas e saúde pública: doenças emergentes, reemergentes e transmissíveis", que acontece na da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio.
De acordo com Tauil, as mudanças demográficas no início dos anos 60, foram consequência de intensos fluxos migratórios do campo para as cidades. Sem saneamento básico e habitação, esta população passou a viver em favelas e cortiços, que têm abastecimento de água e coleta de lixo precários (estima-se que 20% da população viva nestes locais). Com isto, argumenta o pesquisador, há uma proliferação de criadouros potenciais do principal mosquito vetor da dengue, o Aedes aegypti.
Outro dado interessante é que o vírus da doença, que tem quatro sorotipos conhecidos, tem propagação muito mais rápida por conta do aumento da intensidade e da rapidez do tráfego aéreo e de outros meios de transporte. Com isto, ele pode ser levado de uma cidade para outra e de um país para outro através do sangue de pessoas que estão infectadas. Estes portadores de doença acabam se transformando em transmissores uma vez que, picados por um mosquito, infectam o inseto, que posteriormente passará adiante o vírus, formando assim uma cadeia de contaminação. Meios de transporte - Há ainda uma transmissão considerada "passiva" do próprio Aedes aegypti, na forma de ovo ou de larvas, em recipientes contendo água como vasos de flores ou plantas aquáticas. Tauil alerta para o fato de que a deterioração da infra-estrutura da saúde pública, com redução de recursos humanos, financeiros e de equipamentos, acabam se refletindo no combate à doença. Com possibilidades restritas, as autoridades optam por ações emergenciais de controle de doenças, deixando de lado medidas preventivas.
O pesquisador lembra que na ausência de uma vacina, a melhor forma para combater a doença é atuar no vetor. E isto é feito com a eliminação da larva. Deve ser aplicado inseticida em criadouros que não são passíveis de eliminação. Tauil lembra, no entanto, que o controle com aplicação de inseticida é considerado ineficaz e ecologicamente prejudicial.


