Rio, 09 (AE) - A diretoria do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), encaminha hoje para a Polícia Federal (PF) relatório da sindicância interna que levou ao afastamento de nove funcionários, suspeitos de envolvimento em um esquema de superfaturamento na compra de material de escritório para a instituição. Duas empresas - Grafipel e Primagraf - , que participaram da licitação e forneceriam os produtos, foram descredenciadas.
De acordo com o diretor-geral do HUCFF, Amâncio Paulino de Carvalho, a decisão de investigar a denúncia é um "alerta". "Não vamos tolerar fraudes, precisamos separar o joio do trigo", afirmou, referindo-se aos funcionários do hospital e aos fornecedores de produtos e medicamentos.
Aberta em abril, a comissão de sindicância apurou que a compra, no valor de R$ 4.560,00, poderia ser feita pela metade do preço. Caso fique comprovada a participação dos servidores no esquema, a partir da apuração que deverá ser feita pela PF, eles poderão sofrer processos administrativos e perder seus cargos na universidade - por enquanto, os funcionários estão apenas afastados do setor de compras, onde trabalhavam.
Segurança - Segundo o diretor, há indícios de outras irregularidades no hospital, que também estão sendo investigadas. "Adotamos a tolerância zero para inibir essas práticas." Por determinação da Reitoria da UFRJ, Carvalho está recebendo proteção de dois seguranças desde julho, quando denunciou um esquema de venda de senhas para o atendimento no hospital e começou a receber ameaças de morte. Na época, também foram instaladas câmeras no Setor de Farmácia, para inibir o desvio de medicamentos.
O diretor afirma que medidas administrativas como o afastamento de pessoas do Setor de Fármácia envolvidas em esquemas de desvio de verbas permitiram uma economia de R$ 3 milhões no ano passado, em relação a 1997. O HUCFF faz, em média
27 mil consultas e 900 cirurgias por mês.

mockup