Rio, 09 (AE) - 09 (AE) - O Rio de Janeiro é o Estado com a maior incidência de tuberculose no País: 94 casos notificados por cada cem mil habitantes, índice que representa quase o dobro da média nacional, de 56 casos por cem mil habitantes, segundo dados da própria Secretaria Estadual da Saúde. "E os números provavelmente são muito maiores, porque a saúde coletiva do Estado foi abandonada nos últimos anos", acusou a coordenadora do Programa de Tuberculose do Estado, Lia Selig, que lança amanhã (10) um projeto para o combate da doença.
Em 1998, apesar da trabalho precário de detecção, foram notificados 16 mil casos da doença no Estado. "Nossa estimativa é que hoje o Rio esteja com 18 mil casos, o mesmo número de São Paulo, que tem população bem superior", disse Lia, que coordena o programa há três meses. "O Programa de Tuberculose estava desativado havia anos e ninguém queria ocupar esse cargo", afirmou. "Reverter esse quadro vergonhoso é, também, uma questão ideológica". Plano - No plano de combate estão previstas, entre outras medidas, a implantação do controle de qualidade nos laboratórios estaduais (para obter diagnósticos corretos) e a distribuição adequada de medicamentos. "Estamos com vontade de trabalhar, porque é uma doença fácil de tratar, mas isso não vinha sendo feito", diz. "O Rio foi o último Estado a controlar a varíola por um motivo: falta de investimentos em saúde coletiva". Lia acredita que o trabalho da secretaria deverá resultar, em breve, no aumento do número de notificações. "Quanto pior se trabalha, menos se diagnostica".
Ela aponta outro problema: cerca de 25% dos pacientes abandonam o tratamento, que dura seis meses, antes do segundo mês. Segundo ela, no Rio Grande do Sul esse índice é de apenas 4%. A coordenadora indica como principal fator para o desenvolvimento da doença as baixas condições de vida (moradia e alimentação, por exemplo) decorrentes da urbanização descontrolada. "A alta densidade demográfica é um agravante para a contaminação".

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