São Paulo, 09 (AE) - O presidente da Associação Nacional dos Investidores do Mercado de Capitais (Animec), Saul Sabbá, diz que é mais apropriado adotar o valor patrimonial ou econômico para a troca das ações da Telesp. "Causa estranheza a adoção de critérios distintos para a incorporação das empresas, já que o estatuto da companhia fixa tratamento equitativo a todas as sociedades interessadas", diz.
Em carta enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
os minoritários ressaltam que "caso se adote o critério patrimonial - mais justo e de acordo com o estatuto social da empresa - para a permuta das ações da Telesp pelas da Telesp Participações, caberia a cada ação (ordinária ou patrimonial) da Telesp 7,2 ações da Telesp Par". Pela proposta da empresa, diz Sabbá, o preferencialista da operadora receberia quase duas ações a menos, uma perda de cerca de 24% para o acionista.
A Telesp informou que está cumprindo o que manda a Lei das S.A. quanto à incorporação. A empresa alega que o artigo em seu estatuto não fixa tratamento igual e sim condizente com a lei.
Segundo a Lei das S.A., no caso de empresas sem liquidez a base de cálculo é o patrimônio líquido. Para empresas que integram um índice - caso da Telesp -, o mercado é o melhor parâmetro para a avaliação.
Uma fonte da CVM informou que trata-se de uma questão de interpretação, que deverá ser avaliada pela autarquia. Segundo a fonte, além da carta da Animec, "estão chovendo reclamações em relação à Telesp, até por parte de acionistas estrangeiros".
Outra empresa que, segundo a fonte da CVM, é alvo de queixas de minoritários é a Brasmotor, cuja controladora, a Whirlpool, anunciou intenção de comprar as ações em circulação no mercado. Para alguns analistas, os valores estão perto dos preços-alvo projetados. Outros consideram os preços ruins.

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