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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília. 09 (AE) - O Banco Central (BC) decide nos próximos dias se os bancos do País deverão enviar esclarecimentos a seus clientes sobre a adaptação ao bug do ano 2000. A idéia é defendida pelo coordenador do Comitê BC 2000, Antônio Gustavo Matos do Vale, mas depende da aprovação da diretoria do Banco Central. Matos do Vale e técnicos do governo federal temem situações de pânico na virada do ano por causa da desinformação.
"O bug virtual pode ser pior do que o real", disse o dirigente do Banco Central hoje, durante o seminário A Segurança do Estado e do Cidadão Frente ao Bug do Ano 2000, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
De acordo com Matos do Vale, os bancos brasileiros fizeram sua parte e estão prontos para enfrentar o bug. Mas ele teme, por exemplo, que uma falha mecânica num caixa 24 horas, em 31 de dezembro, seja atribuída ao bug e leve grande parcela da população a sacar dinheiro - o que causaria um sério problema, ainda que sem relação direta com uma falha nos computadores.
Por isso, o coordenador do Comitê BC 2000 sugeriu ao público que evite tirar extratos e saldos de suas contas nos últimos dias do ano. "Se todo mundo resolver tirar um extrato no dia 31 de dezembro pode faltar papel numa máquina", advertiu ele, informando que uma equipe de cem técnicos do BC vai estar de plantão entre os dias 10 de dezembro e 7 de janeiro.
Registros - Além disso, o Banco Central já determinou que as instituições bancárias devem registrar em duas fitas magnéticas todas as operações realizadas por seus clientes no mês de dezembro. As fitas deverão ser mantidas por seis meses. "O dinheiro está são e salvo", afirmou Matos do Vale. O BC terá ainda em dezembro um estoque de R$ 7 bilhões em cédulas de real, volume cerca de 30% acima do normal nesse mês, de modo a enfrentar uma eventual uma corrida aos bancos.
Mas é justamente esse tipo de comportamento que o governo quer evitar. "Cada órgão do governo deve agora esquadrinhar as atividades de risco para os cidadãos e orientar sobre as providências que deverão ser tomadas nesse caso", disse o presidente do Serpro, Sérgio de Otero Ribeiro. O objetivo é evitar ondas de pânico.


