São Paulo, 09 (AE) - As vendas e a produção de veículos despencaram em outubro principalmente por causa do reajuste médio de 12% anunciado pelas montadoras após o fim do acordo de emergência que reduziu impostos. Os negócios caíram 27% no atacado e no varejo em relação a setembro. A produção ficou 15 7% abaixo do volume do mês anterior. As exportações, em unidades
também caíram 17,3%. Foram produzidos 112.139 veículos, o pior resultado desde fevereiro. As vendas no atacado (das fábricas para as concessionárias) somaram 92.900 veículos e no varejo (das lojas ao consumidor) 84.900.
Juntando com o estoque do mês anterior, o setor fechou outubro com 147.300 veículos encalhados nos pátios das fábricas e das concessionárias, volume equivalente a 49 dias de comercialização, segundo dados divulgados hoje pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As vendas de modelos populares caíram de 60.400 unidades para 43.800, mas a participação do segmento no mercado manteve-se em 63%, índice já registrado em setembro. Já as vendas de carros a álcool saltaram de 1.330 unidades para 2.314. De janeiro a outubro as vendas de modelos a álcool somam 7.754 unidades, ante as 1.224 do ano passado.
A previsão do presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, é de que o ano feche com uma queda de 16,5% nas vendas - 1,28 milhão de unidades ante as 1,534 milhão do ano passado. Para a produção, a queda esperada é de 12% a 15%. Em 1998 a produção alcançou 1,585 milhão de unidades e neste ano deve ficar entre 1,35 milhão e 1,4 milhão. Em relação a 97, ano em que a produção de automóveis foi recorde no País, a redução ficará próxima a 30%.
Por conta dessa expectativa, as montadoras já estão anunciando a redução da produção para este mês e para dezembro. A General Motors, por exemplo, confirmou que reduzirá sua produção em 15% neste mês e no próximo. As empresas também deverão ampliar o prazo das férias coletivas dos trabalhadores.
Pinheiro Neto disse hoje que o mercado deve continuar desaquecido até meados desse mês. Depois, pode apresentar recuperação por conta do pagamento do 13º salário aos trabalhadores e da redução dos juros, mas não o suficiente para alterar as previsões negativas.
Ele afirmou que nenhuma montadora está prevendo demissões até o início do próximo ano. "Mas quem garante emprego nas montadoras é o consumidor", disse. O setor encerrou outubro com 95.421 trabalhadores (incluindo as fabricantes de máquinas agrícolas), 843 a mais se comparado a setembro. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o quadro de pessoal tem 8.809 funcionários a menos.
O mês foi especialmente ruim para a Volkswagen. A empresa, tradicional líder no mercado, ficou em terceiro lugar no ranking de vendas no varejo, perdendo para a Fiat e para a General Motors. A Fiat vendeu 20.412 automóveis e comerciais leves (25,1% de participação nas vendas totais), a GM 19.451 (23 9%) e a Volks 19.368 (23,8%). A Ford manteve-se em quarto lugar, com 11.343 unidades vendidas (12,8% de participação).

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