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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por ¶ngela Lacerda 
Recife, 09 (AE) - A globalização e a descentralização administrativa dos governos - importantes tendências que vão influenciar o desenvolvimento mundial no próximo século - poderão aumentar as disparidades regionais e levar países ao fracasso econômico. O alerta foi feito hoje, pelo assessor econômico do Banco Mundial (Bird), William Dillinger, durante a apresentação do 22º relatório da instituição sobre o "Desenvolvimento Mundial 1999/2000: a entrada no século XXI", na sede da Sudene, no Recife. Segundo ele, tais efeitos negativos poderão ocorrer se não houver uma adequação a esses processos, além de competência técnica para gerir serviços e recursos.
O relatório do Bird prega instituições fortes e incremento de parcerias entre os setores público e privado como fundamentais para facilitar essa adequação à globalização. E afirma que a crescente integração da economia mundial requer parcerias dos governos nacionais com os locais, organizações internacionais, não-governamentais e multinacionais.
Por sua vez, a descentralização administrativa (chamada no relatório de localização) pressupõe o incremento das políticas participativas e a valorização da autonomia e identidade locais. O relatório informa que os governos nacionais de diversos países têm estimulado o desenvolvimento do poder local. Mas ressalta que tal descentralização - dependendo de como for aplicada - pode causar sobrecarga aos governos municipais e deixá-los incapacitados a oferecer infra-estrutura ou serviços à população.
O diretor do Bird no Brasil, Gobind Nankani, lembrou que o maior desafio dos países em desenvolvimento é reduzir a pobreza, sendo necessário o debate para se encontrar meios e políticas mais apropriados que permitam que se tire vantagem da globalização e localização. No mundo, 1,5 bilhão de pessoas sobrevivem abaixo da linha de pobreza (um dólar/dia). Destes, 100 milhões estão na América Latina, sendo 35 milhões no Brasil. Dos miseráveis brasileiros, 18 milhões estão no Nordeste. Amanhã o Bird divulga o relatório em Brasília.


