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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 9 (AE)- A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou hoje (09) nota de protesto contra "atos de força" praticados pela Secretaria da Agricultura no Estado na fiscalização das sementes de soja que serão plantadas nesta safra. O documento é uma resposta à apreensão de cerca de 200 toneladas de sementes transgênicas e à interdição de duas lavouras em fase inicial de germinação, ontem
pela secretaria no interior do Estado.
"Somente órgãos da administração federal detêm o poder de ingressar em propriedades rurais para fiscalizar a produção de grãos geneticamente modificados", afirma a nota. Conforme o presidente da entidade, Carlos Sperotto, os produtores estão indignados diante do "quadro de intimidação" promovido pelos fiscais. Sperotto disse que a Farsul não está "defendendo ou não a utilização de transgênicos".
De acordo com ele, a entidade não recomenda o cultivo, proibido por liminar da Justiça Federal, mas defende a manutenção das pesquisas e a avaliação das vantagens dos produtos geneticamente modificados com objetivos "econômicos" e não "ideológicos".
Vai continuar - O secretário da Agricultura do RS, José Hermeto Hoffmann, afirmou que a fiscalização vai continuar com o apoio da Brigada Militar. De acordo com ele, dois fiscais foram ameaçados por fazendeiros na sexta-feira passada em uma propriedade em Júlio de Castilhos e tiveram que rasgar o auto de infração para deixar o local. A fiscalização começou na na quarta-feira da semana passada e até agora foram feitos 700 testes em 200 propriedades.
O trabalho, de acordo com o secretário, é amparado em lei federal (delegada ao Estado) de defesa vegetal e pelas normas estaduais que exigem o registro de sementes e mudas e a realização de estudos de impacto ambiental para experiências com transgênicos.
Em 24 das 700 análises já feitas foram detectadas sementes geneticamente modificadas, provocando a apreensão dos 3 5 mil sacos de sementes em sete municípios. As duas lavouras interditadas, cada uma com 100 hectares, ficam em Salto do Jacuí
na região central do Estado, e estavam em fase inicial de germinação.
O secretário explicou que a intenção do governo é "proteger quem produz na legalidade". De acordo com ele, a entrega de soja transgênica nos pontos de armazenagem durante a colheita irá comprometer todo o estoque, incluindo os grãos convencionais que poderiam ser vendidos para a Europa e empresas que não aceitam o produto modificado.
A relação das propriedades e dos produtores notificados será entregue por Hoffmann ao Ministério Público Federal, que tem competência para solicitar a destruição dos produtos. Na quinta-feira (11) o secretário se reúne com representantes dos produtores (entre eles a Farsul), das cooperativas, dos pequenos agricultores e da Procuradoria da República no Estado para discutir formas de ampliar o cerco aos transgênicos.


