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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Gustavo Freire 
Brasília, 09 (AE) - Na reunião que realiza amanhã, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá promover uma nova redução das taxas de juros. Esta é a expectativa de fontes do governo que acreditam que a taxa básica pode passar dos atuais 19% para algo entre 18,5% e 18,75% ao ano. "Já temos a taxa girando hoje em torno de 18,80% nas operações diárias do BC e qualquer coisa neste intervalo entre 18,50% e 18,75% será boa para gerar uma melhora de expectativas", disse a fonte do governo.
Na avaliação de analistas de mercado, porém, o Copom não deveria mexer nas taxas de juros. Um ex-integrante da equipe econômica disse que "é cedo para o Banco Central aderir à onda de otimismo em relação às melhores condições da economia". Mas lembrou que, na última reunião, no dia 6 de outubro, o Copom decidiu-se, surpreendemente, pelo viés de baixa. Por isso, espera-se uma redução. Na sua avaliação, no entanto, se reduzir as taxas hoje, o Copom estará errando. Mantendo as taxas, segundo ele, mostrará que errou na última reunião. "Eles não deveriam ter optado pelo viés de baixa", afirmou. Na época, o momento estava tenso e não cabia qualquer indicação de que os juros poderiam baixar.
Segundo as fontes do governo, mesmo reduzindo as taxas em apenas 0,5 ponto percentual, ou 0,25 ponto percentual, o Copom ainda estará sendo conservador. Este conservadorismo, na visão de um fonte oficial, pode ser explicado por fatores que ameaçam afetar a trajetória de inflação para o ano que vem. Ou seja, podem ter impacto na inflação que, segundo a meta do BC, deverá fechar o ano em 6%. Um destes fatores é a possibilidade de reajuste das tarifas de algumas concessões de serviços públicos que tiveram seus contratos assinados numa conjuntura de câmbio administrado. "Alguns destes contratos prevêem que os serviços podem ter suas tarifas reajustadas por algum índice de preço ou mesmo pelo câmbio", comentou uma fonte.
A energia de Itaipu é um exemplo de serviço que pode ter seu preço reajustado pela variação cambial. A incerteza sobre a evolução do preço do petróleo no mercado internacional e as dúvidas sobre a efetiva aprovação pelo Congresso Nacional de medidas que contribuam para o ajuste fiscal do setor público são outros fatores que obrigam o BC a atuar com cautela no momento de calibrar as taxas de juros para o mercado. Por outro lado, o governo acha que o Copom terá mais espaço para reduzir as taxas no momento em que as mudanças no mercado de títulos públicos anunciadas na semana passada entrem efetivamente em vigor.
Segundo uma fonte, "quando estas medidas forem implementadas o governo poderá ter uma queda de juros mais acentuada do que a que se verifica atualmente". Isso porque o governo não precisará mais embutir um prêmio de risco na taxa básica de juros da economia", explicou. O prêmio de risco será embutido, na análise desta fonte, na cláusula de resgate antecipada dos títulos que permitirá ao investidor evitar os prejuízos com uma elevação dos juros feita ainda no período de maturação do papel adquirido do governo federal.


