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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 09 (AE) - O mercado de previdência privada aberta pode ficar dez vezes maior nos próximos dez anos, em um cenário de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) de 4%, projeta a Icatu-Hartford. Até 30 de setembro, os investimentos em carteira das seguradoras, bancos e outras entidades abertas eram de R$ 10,7 bilhões, contabiliza a Associação Nacional da Previdência Privada. "Em dez anos, os ativos sob administração dessas empresas podem chegar a R$ 122 bilhões", afirmou hoje o presidente da Icatu-Hartford, Carlos Trindade.
Os ativos das entidades abertas representa cerca de 1% do PIB, contra quase 10% dos fundos de pensão fechados. Segundo Trindade, podem chegar a 8%. "A previdência privada é importante para formar poupança de longo prazo, aquecer a economia e torná-la menos dependente dos capitais externos", explicou o executivo, em palestra promovida pelo Instituto Brasileiro dos Executivos em Finanças (Ibef).
No ano que vem, uma nova frente de mercado pode impulsionar esse crescimento. Tramitam no Congresso os três projetos de lei que vão regulamentar a previdência privada no Brasil. Uma das regras será a permissão para que sindicatos e associações de classe formem seus fundos de pensão, desde que terceirizem a gestão dos recursos e o pagamento dos benefícios, lembra Trindade. As entidades de previdência aberta brigarão por esses contratos.
O melhor produto a oferecer, segundo o presidente da Icatu-Hartford, é o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL). Lançado no mercado há um ano, o PGBL deve representar, no final de 1999, 4% da carteira das entidades de previdência aberta e 50% a 60% do mercado em dez anos.
As principais diferenças em relação aos outros planos de aposentadoria são o repasse de toda a rentabilidade das aplicações em Fundos de Investimento Financeiro Exclusivo (FIFE) - com a contrapartida de não haver garantia de rendimento mínimo -, a flexibilidade no valor mensal das contribuições, o não pagamento do Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos e a postergação do IR sobre as contribuições.
A Icatu-Hartford, por exemplo, já oferece quatro tipos de PGBL a pessoas jurídicas. Em dezembro, lança o primeiro plano cambial e, no mês seguinte, estende seus PGBL aos investidores individuais. Por um contrato com a Hedging-Griffo, vai oferecer também aos clientes da corretora um plano com 20% de aplicação em fundos cambiais, 20% em ações e 60% em renda fixa. A seguradora já tem R$ 38 milhões aplicados em PGBL, de uma carteira total de R$ 300 milhões.


