São Paulo, 09 (AE) - O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo informou hoje que paralisou a produção em 36 empresas de São Paulo. Entre as maiores da base, sofreram greve a Caloi, a Multibrás, a Fame e a Toledo, que juntas empregam perto de 6 mil metalúrgicos. A movimentação faz parte de um calendário de paralisações para forçar setores de máquinas, forjados, balanças
entre outros, a concederem o mesmo reajuste salarial obtido no setor de autopeças: 6%, mais pagamento de abono de 17% do salário de uma só vez ou em até três parcelas.
Segundo o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, várias empresas já estão negociando diretamente com o sindicato, sem a intermediação dos negociadores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "A Continental, a Monark, a Vapsa e outras já estão buscando firmar acordos conosco, já que as negociações oficiais da Fiesp fracassaram", afirmou o sindicalista.
Amanhã as greves devem atingir pelo menos 40 empresas de maior porte, segundo previsão do presidente da Força Sindical. A estratégia é buscar acordos primeiro nas grandes e médias, para depois buscar as pequenas empresas da base.
Surpresa - Os funcionários da General Motors, em São Caetano do Sul, recusaram hoje proposta da empresa de reajuste de 5,72% a partir de janeiro, mais 1,5% a partir de abril, abono correspondente a 35 horas de trabalho, pagamento de R$ 1 mil a título de participação nos lucros ou resultados em dezembro e ainda redução do tempo semanal de trabalho de 42 horas para 40 horas a partir deste mês, segundo informou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva. Tudo isso sem o desconto de antecipação de 4,52% nos salários pagos em maio passado.
"Não sei o que houve", lamentou o próprio presidente do sindicato, que considerou surpreendente a decisão. "A impressão que eu tive é que os funcionários da GM recusariam qualquer coisa, mesmo que a empresa resolvesse distribuir ouro na assembléia." A deflagração de greve está fora dos planos do sindicalista. A produção está baixa demais, segundo Cidão: "A GM está produzindo 24 carros por hora, apenas, quando o normal é 38", afirmou. Cidão vai procurar novamente a montadora para tentar obter uma nova proposta, quem sabe antecipando para este mês alguns dos abonos previstos.

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