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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 09 (AE) - A produção industrial nacional cresceu 0 1% de agosto para setembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, apesar de muito fraco, indica estabilização do setor, que pelo segundo mês consecutivo não registra taxa negativa. A recuperação, porém, está acontecendo em ritmo muito lento. Para o setor ter seu desempenho equiparado ao do ano passado, o chamado "crescimento zero", a produção da indústria no último trimestre do ano teria de crescer 8,3% em relação a igual período do ano passado.
Tal elevação é considerada inviável pelos técnicos do instituto, levando em consideração os saldos apurados durante o ano: -3,6% no primeiro trimestre, ante igual período de 98; -2 8% no segundo, e -1,6% no terceiro. "Se tivermos um quarto trimestre igual ao terceiro, o desempenho do ano será de -1,8%"
calcula o analista do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales. Até agora, o acumulado de janeiro a setembro registra -2 6%.
Ele salienta que o último período do ano conta, de início, com um fator muito positivo: a base de comparação do ano passado é muito depreciada. "O último trimestre de 98 foi o fundo do poço." Apesar de considerar "muito difícil" chegar a um número positivo para o acumulado do ano, Sales ressalta que o crescimento industrial de 99, mesmo sob os efeitos da desvalorização cambial, será melhor do que os -2,8% do ano passado e "muito acima das expectativas do início do ano". A decepção da indústria ocorreu a partir do fim do primeiro semestre.
Em maio, depois de um período de quedas, a atividade subiu 1,9%. Como tradicionalmente a produção melhora a partir do segundo semestre, devido ao aumento da demanda, esperava-se um aquecimento do mercado, mas em junho e julho o índice voltou ao vermelho e só melhorou a partir de agosto, mesmo assim com taxas positivas muito próximas de zero, que não passaram de 0,5%.
Como o ano passado foi péssimo para a indústria, os resultados deste ano e do início de 2000 ainda se beneficiarão dos efeitos meramente estatísticos, ou seja, um crescimento conseguido às custas de uma base de comparação muito baixa. Somente a partir do segundo trimestre do ano que vem será possível entender com precisão o rumo que a produção industrial está tomando.
Por enquanto, o perfil negativo continua sendo ditado pelas áreas do complexo metal-mecânico, dos bens de consumo duráveis e dos bens de capital. Na outra ponta, freando a queda da indústria, estão setores como a extrativa mineral, que acumulou crescimento de 10,4% de janeiro a setembro, avanço marcado quase que exclusivamente pelo aumento da produção de petróleo no País. Este setor ainda tem impacto pequeno no resultado geral, mas seu peso dobrou nos últimos dez anos, saindo da faixa de 4% a 5% para 8% a 10%.
Sales lembra que setores mais ligados à exportação, como papel e celulose, madeira e alguns segmentos de produtos alimentícios, também contribuíram para melhorar o saldo da indústria no ano.


