Berlim, 08 (AE-AP) - Os alemães começaram a festejar hoje (08) o décimo aniversário da queda do Muro de Berlim, que transcorre amanhã. Hoje, por ironia, a Justiça alemã confirmou pena de 6 anos de prisão para Egon Krenz, o ex-líder comunista alemão-oriental que abriu a fronteira da antiga Alemanha oriental dez anos atrás. Ele é acusado da morte de dezenas de alemães-orientais que tentaram cruzar o muro na época da guerra fria.
O ponto alto das comemorações de hoje ocorreu na prefeitura de Berlim. Ali, o prefeito Eberhard Diepgen concedeu o título de cidadão berlinense ao ex-presidente americano George Bush. A solenidade teve a presença do ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev e do ex-chanceler alemão Helmut Kohl, que, com o ex- presidente americano Ronald Reagan, são cidadãos da capital alemã desde 1992.
Kohl disse que Bush foi um "incansável" defensor da reunificação. "Há dez anos, ele (Bush) nos animou a prosseguir a grande tarefa, cujo êxito seria impossível sem os americanos."
Bush agradeceu e dirigiu-se ao presidente da ex-URSS: "Nós jamais conseguiremos pagar a dívida que temos para com Mikhail Gorbachev."
Amanhã, Bush, Gorbachev e Kohl discursarão no plenário do Parlamento alemão. Depois, participarão de uma solenidade organizada pela comunidade judaica da capítal alemã para lembrar a chamada Noite dos Cristais (9 de novembro de 1938), quando agentes nazistas à paisana assassinaram 91 judeus, incendiaram 250 sinagogas, saquearam e destruíram lojas e empresas judaicas e iniciaram o confinamento de 25 mil judeus em campos de concentração.
Gorbachev reuniu-se hoje com Gregor Gysi, líder do Partido do Socialismo Democrático (PSD, ex-comunista). Gysi queixou-se dos processos judiciais contra antigos dirigentes comunistas alemães orientais. Gorbachev ressaltou que esse tipo de comportamento só ocorre em território alemão. "Não tenho conhecimento disso em nenhum país da antiga Europa Oriental", disse o ex-presidente soviético.
O Berliner Zeitung, um dos diários de maior circulação na cidade, divulgou hoje o resultado de pesquisa de opinião sobre o que os alemães orientais pensam da reunificação uma década depois. A maioria esmagadora, 95%, vê avanços nas áreas de serviços e produtos (que melhoraram sensivelmente) e aplaude a possibilidade de viajar livremente. Em contrapartida, 87% acham que o combate à criminalidade piorou drásticamente. Para 58% dos consultados, os benefícios sociais concedidos atualmente são piores do que os oferecidos pela ex-RDA.

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