Ramallah, 08 (AE-AP) - Representantes de Israel e da Organização de Libertação da Palestina (OLP) iniciaram nesta segunda-feira (08) intensivas negociações para um tratado final de paz, amplamente divididos sobre as questões mais sensíveis de seu conflito de um século, mas otimistas quanto ao cumprimento de seu ambicioso cronograma.
Depois de uma reunião de 75 minutos no Grand Park Hotel de Ramallah, os negociadores expressaram sua confiança de que poderão concluir um esboço de acordo até fevereiro e o tratado final até setembro. Os dois lados combinaram voltar a reunir-se quinta-feira e realizar várias sessões a cada semana para tentar esboçar o acordo em cem dias.
"Reconhecemos a enormidade dos problemas, estamos a par das diferenças em nossas posições, que vão revelar-se nos dias que virão", disse o negociador-chefe israelense, Oded Eran. "Mas nós nos comprometemos sem reservas a realizar estas negociações como parceiros, a manter um diálogo baseado no respeito mútuo. Temos de percorrer um caminho muito longo num tempo muito curto, mas com um esforço conjunto podemos conseguir", acrescentou.
"Este é um momento histórico e acreditamos que, com trabalho contínuo e intensivo, seremos capazes de terminar o esboço de acordo de status final em 15 de fevereiro", afirmou o negociador-chefe da OLP, Yasser Abed-Rabbo. "Começamos em um ambiente muito franco e aberto, sem barreiras, e com este ambiente, creio que poderemos conseguir o acordo que todos buscamos."
Estas negociações definirão o status final da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, além de questões como o destino dos refugiados palestinos das guerras de 1967 e 1973 e a divisão dos recursos hídricos.
Os dois lados reiteraram nesta segunda-feira suas posições iniciais. Abed-Rabbo disse que Israel tem de retirar-se de todos os territórios ocupados na guerra de 1967, incluindo Jerusalém Oriental, que os palestinos querem transformar na capital de seu tão sonhado Estado. Reiterou ainda que os palestinos têm direito à autodeterminação e Israel tem de permitir o retorno de todos os refugiados, ou pagar-lhes uma indenização.
Além disso, exigiu a paralisação imediata da expansão das colônias judaicas nos territórios ocupados, considerando esse o maior abstáculo para o tratado de paz, e acrescentou que as conversações devem ter como base as resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança da ONU, que estabeleceram o princípio da troca de terras por paz.
Domingo, porém, o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, alegou que as resoluções 242 e 338 não valem para a Cisjordânia. Hoje, Eran afirmou que Israel nunca cederá nenhuma parte de Jerusalém nem se retirará para as fronteiras anteriores ao conflito de 1967. E insistiu que a maioria dos 200.000 colonos na Cisjordânia e Faixa de Gaza devem permanecer sob soberania israelense.

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