Paris, 08 (AE) - O 21º Congresso da Internacional Socialista, aberto hoje (08) em Paris-La-Défense, marca o triunfo do socialismo. O socialismo se impôs no mundo inteiro (e hoje mesmo em Paris-La-Défense) com o presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa, o líder palestino Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e sobretudo com um "grupo" de líderes socialistas europeus - Tony Blair, Gerhard Schr”der, Lionel Jospin, o português Antonio Guterres, o italiano Massimo dAlema, etc.
Mas, apesar disso, como evitar o sensação de que esta vitrine brilhante, que constitui este Congresso, não esteja servindo senão para mascarar o "abandono do hábito", a perda dos traços característicos do socialismo? Dois símbolos "fazem sentido": O primeiro é o tema geral proposto aos congressistas: a identidade do socialismo. Vamos lá! Depois de tantos anos, estes socialistas não sabem mais o que são? É necessário que se reunam em Paris-La-Défense para começar a adivinhar o que é talvez o "esboço dos traços gerais" de sua identidade? Meu Deus! Como são lentos em se identificar, estes "proletários de todos os países"!
O segundo símbolo é a personalidade do homem que preside o Congresso - o francês Pierre Mauroy, figura notável, que foi o primeiro "primeiro-ministro" do socialista François Mitterrand
grande homem de Lille (capital do norte operário da França), uma mente do século 19, que gosta mais de "cerveja e as batatas fritas" das pequenas cidades operárias do que das "belas gravatas", dos uísques e das "pasta de executivo" dos novos socialistas.
Pierre Mauroy preside aqui seu último Congresso. Depois, ele cederá o lugar a Antônio Guterres, o português carismático que dirige o governo de Lisboa. Com certeza, Mauroy deixa o posto por causa de sua idade. Mas, ao mesmo tempo, ele representa - soberbamente - toda uma geração que a história hoje deixa de lado, a dos socialistas com cheiro de sebo ou de carvão, que não se reconhecem mais no "socialismo de mercado". Seria possível deixar de ver nesse fato de Mauroy estar presidindo este Congresso antes de retirar-se uma espécie de adeus melancólico a um socialismo que se tornou um objeto histórico"?
O Congresso é dominado pelo confronto entre os dois "pesos pesados", Tony Blair (tendo nos bastidores, o alemão Schr”der) e o francês Lionel Jospin.
Simplificando: Blair é o líder de um novo socialismo, chamado de "terceira via", que professa sua "fé na economia de mercado" e que agita o estandarte da modernidade: "Nós, os socialistas, não somos os guardiães imóveis de dogmas que acabaram perante o fato novo da globalização".
O francês Jospin faz questão de ser ao mesmo tempo fiel e evoluído.
Não nega jamais os ideais do socialismo (igualdade, progresso
fraternidade, proteções sociais, etc...), mas, ao mesmo tempo, admite que a globalização é uma onda inevitável, aliás necessária e até fecunda, mas gostaria que os socialistas "humanizem", "socializem" esta globalização. Jospin aceita o triunfo do capitalismo, mas luta por "humanizar este capitalismo". Não contesta "a superioridade do mercado sobre o planejamento", mas, na sua opinião, o mercado é apenas um instrumento. Sua fórmula é assim resumida: "Sim a uma economia de mercado. Não a uma sociedade de mercado".
A questão do Congresso era portanto esta: como encontrar um lugar comum entre o capitalismo extasiado de Tony Blair e o capitalismo reticente de Lionel Jospin? Inútil dizer que a síntese foi feita rapidamente: Os socialistas têm em comum com os capitalistas pelo menos uma virtude: a arte, o talento de encontrar acordos de compromisso, de falar em linguagem diplomática, de usar uma linguagem obscura, inodora, insípida e incolor, de produzir textos sintéticos, cujo elemento maravilhoso consiste em não dizer nada Neste ponto, não se deve recriminar os socialistas. Eles cumpriram bem o seu "contrato".

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